Mensagens revelam que Daniel Vorcaro recebeu informações de inquérito da PF

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

Uma mensagem obtida pela Polícia Federal (PF) indica que o banqueiro Daniel Vorcaro recebeu informações sobre o andamento de um inquérito da PF que era de seu interesse. A conversa contradiz a investigação da PF, que aponta que Vorcaro tinha uma rede de monitoramento e recebimento de informações do sistema da PF e de diligências de forma antecipada.

Em 2024, um contato não salvo em sua agenda enviou uma mensagem a Vorcaro informando que “o inquérito 56/2024 não dará seguimento hoje no BC. Muitas operações fraudulentas fundo internacional petróleo indeferimento. Não soube estancar o inquérito iniciou e parou”, disse o contato com DDD de Minas Gerais.

A PF detalha que o grupo contratado por Vorcaro, dono do Banco Master, para influenciar a investigação, acessava dados da PF, do MPF (Ministério Público Federal) e até de organismos internacionais, como o FBI e a Interpol. O acesso era feito por meio de credenciais de terceiros e de contatos de um policial federal aposentado.

De acordo com a PF, Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, apontado como o “Sicário” e coordenador operacional do grupo denominado “A Turma”, realizava consultas e extrações de dados em sistemas restritos, incluindo bases utilizadas por instituições de segurança pública e investigação policial. O objetivo era abastecer Vorcaro com informações sobre investigações.

Mourão recebia R$ 1 milhão por mês para esse serviço, conforme aponta a PF. A investigação revela que Mourão exercia um papel central no grupo “A Turma”, cuja estrutura foi montada para realizar atividades de vigilância, coleta de informações e monitoramento de indivíduos considerados adversários do grupo, incluindo autoridades e jornalistas.

A decisão do STF cita que “o investigado organizava e executava diligências destinadas à identificação, localização e acompanhamento de pessoas que mantinham relação com investigações ou com críticas às atividades do grupo econômico ligado ao Banco Master”.

Segundo a investigação, as informações levantadas eram repassadas a integrantes do grupo responsáveis pela tomada de decisões estratégicas. A PF também apontou que Mourão atuava para retirar conteúdos e perfis em plataformas digitais, simulando solicitações oficiais de órgãos públicos.

Procurada para saber se haverá investigação sobre acesso ilegal aos sistemas da PF e vazamento de informações, a PF não se manifestou sobre o caso.

Compartilhe esta notícia