Tecnologia quântica que protege dados é comercializada nos EUA

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

A empresa Qunnect, localizada no Brooklyn Navy Yard, em Nova York, começou a vender tecnologia quântica que utiliza o emaranhamento quântico para proteger dados. Essa tecnologia, descrita por Albert Einstein como ‘ação fantasmagórica à distância’, permite que o estado de uma partícula influencie instantaneamente o estado de outra, independentemente da distância entre elas.

A Qunnect oferece um serviço que distribui fótons emaranhados entre dois pontos e um hardware que possibilita essa operação de forma contínua e confiável. A empresa não fornece ainda uma internet quântica completa, mas já permite que empresas contratem seus serviços para proteger comunicações com segurança baseada nas leis da física.

Os fótons emaranhados, que já circulam sob as ruas de Manhattan, são partículas de luz que podem ser polarizadas em múltiplas orientações simultâneas, um fenômeno conhecido como superposição. Diferente das redes clássicas, onde é possível copiar dados sem que ninguém perceba, uma rede quântica obedece ao Teorema da Não Clonagem, tornando impossível a cópia da informação. Se um hacker tentar interceptar o sinal, a mensagem original do fóton será destruída.

A rede GothamQ da Qunnect conecta o Brooklyn Navy Yard a Manhattan, NYU e Columbia University por meio de fibra óptica comercial. Um artigo recente de pesquisadores da Qunnect e da Cisco Research revelou que dois nós no Brooklyn conseguiram transmitir fótons emaranhados por 17,6 km de fibra óptica, estabelecendo recordes mundiais com mais de 1,7 milhão de pares emaranhados por hora no nó local e 5,4 mil pares por hora sobre fibra implantada.

A fidelidade de polarização dos fótons ficou acima de 99%, e o parâmetro CHSH confirmou as correlações quânticas. A inovação no hardware Carina da Qunnect eliminou o laser central compartilhado entre os nós, permitindo que cada nó tenha uma célula de vapor de rubídio, que produz propriedades quânticas idênticas em qualquer lugar do mundo.

A Qunnect também opera fora de Nova York, como em Berlim, onde a Deutsche Telekom usou seu hardware para criar a rede BearlinQ, transmitindo emaranhamento por 30 km de fibra urbana com 99% de fidelidade. O CERN, em Genebra, e o estado do Novo México são parceiros confirmados da empresa.

O Estado de Nova York investiu US$ 300 milhões para transformar a fibra existente em Long Island em um banco de testes quânticos. As aplicações da tecnologia incluem autenticação de localização geográfica, computação distribuída, sensoriamento de precisão extrema, detecção submarina e proteção contra ataques HNDL (colha agora, decifre depois).

Um dos principais desafios para a expansão da internet quântica é a memória quântica de longa duração. Em Nova York, o entanglement swapping é controlado eletronicamente, mas em redes transcontinentais, a sincronia entre fótons que viajam longas distâncias precisa ser resolvida. Eden Figueroa, o ‘pai científico’ da Qunnect, está trabalhando para solucionar esse problema.

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