Empresários e comerciantes de Ubá, em Minas Gerais, tentam se reerguer após a enchente que devastou a cidade. Um levantamento da Associação Comercial revelou que mais de 94% dos estabelecimentos foram atingidos, com prejuízos que podem chegar a R$ 500 milhões.
O calçadão da Rua São José, principal ponto de comércio da cidade, e fábricas ao redor do Rio Ubá estão avaliando os danos e buscando retomar as atividades. Stefan Paschoalino, proprietário de uma fábrica de móveis, relatou:
““Foi um volume tão grande de água que ela rodou dentro da empresa. Então misturou peças. Algumas ficaram em cima das máquinas, outras foram carregadas pela água.””
Paschoalino possui mais de 60 equipamentos na linha de produção, alguns avaliados em até R$ 3 milhões. Alunos do curso técnico do Senai estão ajudando na limpeza dos equipamentos, como explicou Célio Paschoalino, ex-diretor do Sesi/Senai:
““Estamos desmontando os componentes eletrônicos, fazendo uma limpeza geral usando álcool etílico para ver se funciona.””
O balanço da situação aponta que cerca de 12 mil produtos, incluindo cômodas, guarda-roupas e armários de cozinha, foram danificados no dia da enchente. O Sindicato das Indústrias Moveleiras informou que Ubá abriga cerca de 470 empresas do setor, das quais pelo menos 50 foram afetadas e 36 já estão mapeadas com danos graves.
Gilberto Coelho, presidente do Sindicato Intermunicipal das Indústrias do Mobiliário de Ubá (Intersind), destacou:
““Ubá é o terceiro polo moveleiro do país, o maior de Minas. É um movimento ainda muito conturbado, mas acredito que nos próximos dias muitas das coisas serão ajustadas.””
Segundo a Associação Comercial, mais da metade das empresas considera fechar temporariamente se não houver apoio financeiro. Elias Coelho, presidente da Associação Comercial, afirmou:
““Dos micro e pequenos, 83% declarou que não tem condição de voltar se não tiver apoio de crédito, ajuda do Governo ou outra forma de captar recurso financeiro.””
Além das perdas materiais, a cidade registrou sete mortes devido ao temporal. O corpo de Luciano Franklin Fernandes, de 50 anos, ainda não foi localizado após ser arrastado pela correnteza próximo à ponte da Rua Antônio Batista. As equipes de resgate trabalham em várias frentes para localizar a vítima.

