O advogado Rodrigo Crespo foi assassinado em fevereiro de 2024, e meses antes discutiu com um amigo a possibilidade de abrir um sport bar que permitiria apostas online. O júri popular sobre seu assassinato começou às 11h50 desta quinta-feira e a sentença deve ser anunciada até o final da noite de sexta-feira (6).
Três réus estão sendo julgados: Leandro Machado da Silva, o ‘Cara de Pedra’, Cezar Daniel Mondego de Souza, o ‘Russo’, e Eduardo Sobreira de Moraes. Na época das mensagens, a Zona Sul do Rio passava por uma mudança no controle dos pontos de jogo do bicho, com a saída de Bernardo Bello e a entrada de Adilson Oliveira Coutinho Filho, o ‘Adilsinho’, que foi preso na semana passada.
Crespo mencionou que, ao abrir o bar, não precisaria se relacionar com bicheiros, afirmando:
“‘O bom é que a gente não precisa falar com bicheiro nenhum. Ele tem o padrinho dele, e fala com ele diretamente.'”
Essa mensagem foi exibida durante o julgamento.
Até as 14h30, duas testemunhas foram ouvidas. O delegado Rômulo Assis, responsável pela investigação, afirmou que foram encontrados elementos que indicam o interesse de Crespo em entrar no ramo de apostas online, que, segundo o Ministério Público, teria motivado seu assassinato.
Rodrigo Crespo foi morto a tiros na Avenida Marechal Câmara, em frente ao seu escritório. O atirador ainda não foi identificado. O Ministério Público sustenta que o homicídio foi motivado por uma disputa relacionada a apostas online e que o crime foi cometido em emboscada, utilizando uma pistola calibre 9mm.
Durante o julgamento, a primeira testemunha ouvida foi a namorada de Crespo, Isadora Strapazzon, que se emocionou ao relatar seu relacionamento de quase quatro anos com o advogado. Ela confirmou que ele tinha a intenção de ser o primeiro advogado a abordar a legalização das apostas no Brasil.
O carro usado no crime era de uma locadora que alugava para um grupo criminoso ligado a Adilsinho. Os réus respondem por homicídio qualificado, com qualificadoras como motivo torpe e uso de arma de fogo de uso restrito.
Além dos três réus, uma quarta pessoa, Ryan Patrick Barboza de Oliveira, foi identificada como participante do crime, ajudando a monitorar Crespo no dia do homicídio. Ele foi preso por outro crime relacionado ao mesmo grupo.
Adilsinho também é investigado, mas não será julgado nesta quinta. Sua defesa nega qualquer envolvimento com os crimes. Os réus também estão indiciados por participação em outro crime ligado à máfia dos cigarros.

