Dentista é processada por receber R$ 94 mil em um mês enquanto estudava em AM

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

A cirurgiã-dentista Juliene Monauer Amorim é alvo de uma ação civil pública do Ministério Público (MP) de Roraima por suspeita de receber pagamentos irregulares enquanto cursava medicina em Manaus (AM). Em abril de 2023, Juliene recebeu mais de R$ 94 mil em um único mês, totalizando R$ 94.561,48, segundo informações do MP.

O valor recebido foi composto por vencimento temporário de R$ 3.917,62, insalubridade de R$ 783,52, função gratificada de R$ 1.410,34 e plantões extras que somaram mais de R$ 88 mil em quatro pagamentos. O MP classificou a carga horária informada pela servidora como “humanamente impossível de conciliar” com a frequência diária na faculdade.

A investigação revelou que Juliene ocupava o cargo de diretora-geral do Hospital Regional Sul Ottomar de Souza Pinto, em Rorainópolis, o que lhe permitia controle sobre os Mapas de Produção, utilizados para o registro de plantões. Documentos assinados por ela entre setembro de 2022 e abril de 2023 indicam que estava escalada para plantões em horários incompatíveis com suas aulas em Manaus.

O MP considera que há “cristalina a incompatibilidade” entre os horários de aula e os plantões, configurando enriquecimento ilícito. A ação do MP, protocolada em 2 de março de 2026, aponta que Juliene recebeu um total de R$ 799.386,47 de forma indevida entre 2023 e 2024.

O órgão pede o bloqueio dos bens de Juliene no mesmo valor, equivalente ao prejuízo estimado aos cofres públicos. Se condenada, ela poderá perder o cargo, ter os direitos políticos suspensos por até 12 anos e ficar proibida de contratar com o poder público ou receber benefícios fiscais pelo mesmo período.

Juliene tinha dois vínculos ativos com o governo de Roraima, um em Boa Vista e outro no Hospital Regional Sul Governador Ottomar de Souza Pinto. Em março de 2023, ela começou a cursar medicina em uma faculdade privada em Manaus, o que, segundo o MP, torna impossível a conciliação entre as aulas e os plantões.

Durante as investigações, a dentista afirmou que cumpria os plantões e que os registros de frequência estariam no setor de Recursos Humanos. No entanto, o RH do hospital informou ao MP que ela não comparecia ao serviço. Em depoimento, Juliene alegou que trabalhava apenas nos fins de semana e feriados, mas as escalas mostravam plantões em dias úteis e horários incompatíveis com suas aulas.

Juliene foi notificada três vezes para apresentar documentos que comprovassem a regularidade, mas não apresentou nenhum.

Compartilhe esta notícia