Uma pesquisa do Centro do Professorado Paulista (CPP) revela que 75% das professoras em São Paulo não se sentem seguras nas escolas. O levantamento destaca a violência e a sensação de vulnerabilidade enfrentadas por essas profissionais no ambiente escolar.
O estudo, intitulado “A percepção da docência frente à violência nas escolas”, foi divulgado poucos dias antes do Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março. Os dados mostram que, das 1.144 participantes, 803 (70,2%) são mulheres, e 74,72% delas, ou seja, 600 profissionais, relatam insegurança dentro da sala de aula.
As situações mais frequentes de violência incluem agressões verbais e psicológicas, além de desgaste emocional. Ana Carolina Soares, advogada do CPP, enfatiza a necessidade de tratar a segurança da mulher na educação como uma pauta permanente. Ela afirma que a predominância feminina no setor amplifica o impacto social de problemas estruturais.
““Quando observamos que a maioria da categoria é feminina e também a que mais relata insegurança, é preciso olhar para o ambiente escolar com responsabilidade. Segurança e respeito não são temas acessórios, são condições básicas para o exercício da docência”, afirma Ana Carolina.”
O Censo Escolar de 2025, produzido pelo Inep, registrou 22.372 diretoras mulheres nas escolas do estado de São Paulo. A presença feminina é predominante nas redes municipal, privada e estadual, enquanto na rede federal a participação é menor. Em 2025, o estado contabilizou 405.748 professoras.
Soares ressalta que a discussão sobre segurança deve considerar o recorte de gênero nas escolas. Ela reitera que a segurança e o respeito são fundamentais para o exercício da docência.

