Justiça confirma condenação de pastores pela morte de Lucas Terra

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

A Justiça da Bahia confirmou a condenação dos pastores Joel Miranda e Fernando Aparecido da Silva pela morte do adolescente Lucas Terra. A decisão unânime foi proferida por três desembargadores durante audiência realizada nesta quinta-feira, 5 de março de 2026, em Salvador.

O crime ocorreu em março de 2001, quando Lucas, então com 14 anos, foi queimado vivo e teve seu corpo abandonado em um terreno baldio na capital baiana. A condenação dos pastores foi decidida 22 anos após o crime, durante júri realizado em abril de 2023.

Os pastores foram sentenciados a 21 anos de prisão em regime fechado, mas estavam em liberdade enquanto aguardavam recursos. A defesa ainda pode apresentar embargos ou outros recursos, mas a legislação permite que a execução da pena seja requerida após a decisão desta quinta-feira.

A família de Lucas Terra informou que formalizará o pedido para que os pastores sejam presos.

“”Mesmo que tardiamente a justiça está quase chegando. O TJ-BA não poderia tomar outra decisão que não fosse a confirmação da condenação. Estamos felizes, porém ainda falta uma última etapa: que é ver os assassinos condenados atrás das grades de uma prisão! Só assim o ciclo de impunidade será extinto”,”

afirmou José Carlos Terra Júnior, irmão de Lucas.

A mãe de Lucas, Marion Terra, também expressou sua alegria nas redes sociais ao anunciar a decisão da Justiça.

“”No júri eu cantei: ‘Tu é fiel, Senhor’. E eu quero dizer mais uma vez: ‘Tu é fiel, Senhor’. Eu estou muito feliz. A gente esperou até o final e a resposta do céu veio. Nós vencemos!”,”

disse emocionada.

Os pastores foram condenados pelos crimes de homicídio triplamente qualificado e ocultação de cadáver. Os agravantes para o homicídio incluem motivo torpe, emprego de meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima. Lucas também teria sido estuprado pelos pastores após flagrar uma relação sexual entre eles dentro de um templo da Igreja Universal do Reino de Deus.

Durante o julgamento, os promotores de Justiça e os advogados de defesa dos pastores participaram de debates que duraram cerca de 2h30. Após a apresentação das provas, os jurados se reuniram para votação.

No primeiro dia do júri, cinco testemunhas de acusação e uma de defesa foram ouvidas. A mãe da vítima, Marion Terra, se emocionou durante seu depoimento. No segundo dia, as esposas dos pastores testemunharam a favor deles, mas foram identificadas contradições em seus relatos.

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