A Agência Nacional do Petróleo (ANP) notificou, na última terça-feira (3), a família que pode ter encontrado um poço de petróleo enquanto perfurava o solo em busca de água, em um sítio em Tabuleiro do Norte, Ceará.
A família havia comunicado à ANP sobre a descoberta em julho de 2025 e recebeu resposta apenas em fevereiro deste ano, sete meses depois. Na notificação, a ANP informou que irá comunicar as autoridades ambientais competentes do Ceará para acompanhar o caso e que enviará uma equipe técnica ao local para avaliar as condições do poço, embora não tenha definido uma data para a visita.
A substância foi encontrada em novembro de 2024, quando o agricultor Sidrônio Moreira perfurava o solo para abastecer os animais de sua propriedade, localizada na localidade de Sítio Santo Estevão. Um vídeo gravado pela família mostra o momento em que Sidrônio e a equipe contratada furam o primeiro poço e um líquido escuro emerge do buraco, levando o agricultor a acreditar que se tratava de água. Posteriormente, a família descobriu que o líquido poderia ser petróleo.
A possível descoberta já vinha sendo investigada pelo Instituto Federal do Ceará (IFCE), que realizou testes laboratoriais e constatou que a amostra do líquido possui características físico-químicas semelhantes ao petróleo de jazidas da região vizinha, no Rio Grande do Norte. A confirmação oficial, no entanto, deve ser feita pela ANP.
Tabuleiro do Norte está localizado a cerca de 210 quilômetros de Fortaleza e faz parte da região do Vale do Jaguaribe, próxima à Bacia Potiguar, uma área de exploração de petróleo entre o Ceará e o Rio Grande do Norte. Embora a localidade onde a substância foi descoberta não esteja inserida em nenhum bloco de exploração, está a apenas 11 quilômetros do bloco mais próximo.
A família e o IFCE procuraram a ANP em julho de 2025 para informar sobre a descoberta, mas não obtiveram resposta até 25 de fevereiro, quando a agência se manifestou, informando que abriria um procedimento administrativo para investigar o caso, sem data de conclusão definida.
Mesmo que a substância seja confirmada como petróleo, o agricultor não poderá comercializar o combustível, pois, no Brasil, riquezas encontradas no subsolo pertencem à União. A ANP deverá confirmar a natureza do líquido, e mesmo que seja petróleo, o dono do terreno não poderá extrair ou vender o combustível.
A família de Sidrônio vive na incerteza enquanto aguarda a confirmação da ANP. A residência não possui água encanada e, embora recebam água de uma adutora, o abastecimento é intermitente. Muitas vezes, precisam comprar água de carro-pipa. A descoberta do óleo e os custos da perfuração dificultam a abertura de um novo poço, e a família aguarda orientações da ANP sobre como proceder.
Para perfurar o primeiro poço, Sidrônio contraiu um empréstimo de R$ 15 mil e utilizou parte de suas economias. Após não encontrar água em um segundo poço, a família continua aguardando uma resposta da ANP. ‘O que a gente queria era água, né? O que a gente queria era solucionar o problema da água lá’, disse Saullo Moreira, filho de Sidrônio.
As análises do IFCE e da Ufersa confirmaram que o líquido encontrado é um tipo de hidrocarboneto que se assemelha ao petróleo em densidade, viscosidade, cor e cheiro. Contudo, apenas um laboratório credenciado pela ANP poderá afirmar se a substância é realmente petróleo. A confirmação de que é um hidrocarboneto não garante que haja uma jazida de petróleo na propriedade ou que a exploração econômica seja viável.
Após a notificação da ANP, o órgão deve iniciar procedimentos para averiguar as condições da área, incluindo o subsolo, o tamanho do poço e a composição química do líquido. A descoberta de petróleo não implica que a exploração da área seja financeiramente vantajosa, pois a ANP divide as regiões em blocos de exploração que são leiloados para empresas, e áreas já mapeadas podem não atrair interesse de investidores.

