Entenda como funciona uma bomba atômica e o papel do urânio

Amanda Rocha
Tempo: 4 min.

O programa nuclear iraniano está no centro do conflito que começou no último sábado (28) envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel. Os governos de Donald Trump e Benjamin Netanyahu realizam ataques estratégicos para neutralizar as usinas de Teerã, alegando que o regime iraniano já possui matéria-prima e tecnologia suficientes para produzir uma bomba atômica.

O governo iraniano nega qualquer intenção militar, afirmando que suas pesquisas e instalações têm fins pacíficos, como a produção de energia e avanços na medicina. Analistas alertam que essa tensão pode gerar uma corrida por armas na região. Até o momento, nenhum artefato nuclear foi utilizado nos combates.

Uma bomba atômica convencional, como as lançadas em Hiroshima e Nagasaki, funciona por meio de um processo chamado fissão nuclear. Essa fissão ocorre quando o núcleo de um átomo instável, como o urânio-235, recebe um nêutron e se divide em partes menores, liberando uma quantidade enorme de energia. Leandro Tessler, professor do Instituto de Física Gleb Wataghin, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), explica: “O princípio é quebrar núcleos atômicos e usar a energia resultante dessa quebra para a explosão”.

Quando um nêutron atinge o núcleo do urânio-235, ele se divide em dois elementos mais leves e libera três novos nêutrons, que podem atingir outros núcleos de urânio, gerando uma reação em cadeia. Tessler afirma que a bomba atômica é baseada em juntar tanto urânio-235 que essas reações se tornam incontroláveis.

O número “235” ao lado do urânio se refere à massa do urânio. O urânio-235 possui 92 prótons e 143 nêutrons, enquanto o urânio-238, que compõe a maior parte do urânio natural, tem 92 prótons e 146 nêutrons. Para fabricar bombas atômicas, é necessário separar o urânio-235 do urânio-238, um processo caro e demorado.

O enriquecimento de urânio é o processo de aumentar a proporção do urânio-235 em relação ao urânio-238. Isso é feito em ultracentrífugas, onde o urânio natural é transformado em gás e girado a alta velocidade, separando os isótopos. Se a concentração de urânio-235 for superior a 85% ou 90%, já é suficiente para produzir uma bomba nuclear.

Os materiais físsil mais comuns para armas nucleares são o urânio-235 e o plutônio-239. O plutônio é produzido artificialmente em reatores nucleares e, embora seja mais eficiente, apresenta riscos maiores de acidentes. A bomba de Hiroshima utilizou urânio-235, enquanto a de Nagasaki utilizou plutônio-239.

A bomba atômica é devastadora, liberando uma quantidade de energia imensa. Por exemplo, 1 kg de urânio totalmente convertido em energia liberaria cerca de 9 × 10¹⁶ joules, o que é 20 bilhões de vezes mais energia do que 1 kg de TNT. A explosão gera uma onda de choque que destrói estruturas e causa queimaduras e radiação que pode alterar o DNA e gerar câncer.

Embora a bomba atômica seja extremamente poderosa, a bomba de hidrogênio, que combina fissão e fusão, é ainda mais destrutiva. Para fabricar uma bomba atômica, um país precisa de instalações de enriquecimento, sistemas de blindagem, especialistas em física nuclear e armas nucleares fabricadas com precisão, além de um sistema de entrega como mísseis ou aviões.

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