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Esportes

Estudo alerta sobre riscos do calor extremo em eventos esportivos

Amanda Rocha
Última atualização: 6 de março de 2026 03:01
Amanda Rocha
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Tempo: 3 min.
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Um estudo publicado na revista Scientific Reports alerta sobre os riscos do calor extremo em eventos esportivos, como o Tour de France. A pesquisa analisou dados climáticos de mais de 50 edições da prova, entre 1974 e 2023, e concluiu que o risco de estresse térmico tem aumentado constantemente, especialmente na última década.

A pesquisa foi liderada pelo Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento Sustentável, da França, e indica que o evento tem escapado de condições de risco máximo por margens mínimas, às vezes por apenas alguns dias de diferença ou décimos de grau. O professor Paulo Saldiva, da Universidade de São Paulo, explica que o calor provoca vasodilatação periférica, deixando a pele mais rosada e podendo causar tontura transitória ao levantar, devido a uma queda momentânea da pressão arterial.

O estresse térmico ocorre quando o corpo é exposto a temperaturas extremas e não consegue se resfriar adequadamente, mantendo a temperatura ideal de 36,5 °C. Um índice bioclimático é utilizado para avaliar o estresse térmico, considerando temperatura, umidade do ar, vento e radiação.

O estudo usa o Tour de France para ilustrar um desafio que afeta todo o esporte de elite no verão, incluindo federações como a FIFA. O calor excessivo não apenas prejudica o desempenho, mas também oferece riscos graves à saúde de atletas, funcionários e espectadores. Saldiva destaca que, com as mudanças climáticas em velocidade sem precedentes, os protocolos de segurança precisam ser revistos.

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Atualmente, não existe um padrão universal de segurança, e isso precisa ser construído. “Há um consenso de que, em provas realizadas em situações de calor extremo, é necessário adotar medidas de segurança. Mas a forma de aplicar essas medidas depende das características de cada esporte e das decisões de cada entidade esportiva”, afirma Saldiva.

Embora o estudo foque no cenário europeu, os pesquisadores ressaltam que o aumento das temperaturas representa um desafio global para a organização de eventos esportivos de verão. No Brasil, competições como a Corrida Internacional de São Silvestre já tiveram seu horário alterado para o período da manhã para mitigar o desgaste físico.

No entanto, o estudo alerta que, com o avanço das mudanças climáticas, mesmo as manhãs podem deixar de ser seguras, pois níveis elevados de estresse térmico têm persistido por períodos mais longos. No ciclismo, carros de apoio podem fornecer glicose ou outras fontes de energia durante a prova, mas na Corrida Internacional de São Silvestre, muitos participantes não têm a mesma preparação dos atletas de elite.

O Tour de France é uma das corridas de ciclismo mais tradicionais do mundo, percorrendo cerca de 3.500 quilômetros ao longo de 21 etapas, com apenas dois ou três dias de descanso.

TAGGED:calor extremoesportesestresse térmicoFrançaInstituto de Pesquisa para o Desenvolvimento Sustentávelmudanças climáticasPaulo SaldivaTour de FranceUniversidade de São Paulo
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