Guerra com Irã complica cortes de juros para futuro presidente do Fed

Amanda Rocha
Tempo: 4 min.

O presidente Donald Trump está prestes a nomear um novo presidente do Federal Reserve, alinhado com seu desejo de reduzir as taxas de juros. No entanto, a guerra contra o Irã pode dificultar a implementação desses cortes.

Os formuladores de políticas do Fed já planejavam manter a taxa básica de juros inalterada até pelo menos o verão. Economistas afirmam que o banco central precisa avaliar como o conflito impactará a economia dos EUA. Além disso, a recente decisão da Suprema Corte sobre tarifas comerciais impõe mais incerteza.

A guerra entre os EUA e Israel contra o Irã torna mais desafiador para Kevin Warsh, indicado por Trump para liderar o Fed, justificar cortes nas taxas este ano. “Se a inflação geral se prolongar por algum tempo, após cinco anos de inflação elevada, caramba, esse é um cenário ao qual precisamos prestar muita atenção”, afirmou Neel Kashkari, presidente do Fed de Minneapolis.

As últimas projeções do Fed indicavam uma redução das taxas apenas para 2026. Contudo, investidores esperam que Warsh pressione por cortes se for confirmado pelo Senado para suceder Jerome Powell em maio. Em dezembro, Warsh mencionou que a produtividade impulsionada pela IA poderia permitir taxas de juros mais baixas, mas essa ideia enfrenta ceticismo entre alguns membros do Fed.

Ed Yardeni, presidente da Yardeni Research, destacou que “o Fed precisa lidar com os fatos concretos, e esse choque do petróleo tem consequências mais claras para a economia e a inflação”. O impacto da guerra na inflação dependerá da sua gravidade e duração, além da perturbação no Estreito de Ormuz, onde passa uma parte significativa do petróleo mundial.

Analistas do Goldman Sachs preveem que as perturbações no mercado de petróleo sejam temporárias, mas alertam que, se os preços se mantiverem altos, a inflação anual pode subir de 2,4% em janeiro para 3% até o final do ano. Isso comprometeria a previsão de que a inflação terminaria 2026 em 2%, a meta do Fed.

Os ataques ao Irã já elevaram os preços da gasolina nos EUA e essa tendência deve continuar. James McCann, economista sênior da Edward Jones, afirmou que “os bancos centrais não vão receber bem outro impulso inflacionário”. Desde 2021, o Fed não atinge sua meta de inflação, o que aumenta a sensibilidade a um novo aumento.

Além disso, a incerteza sobre o novo regime tarifário após a decisão da Suprema Corte introduz mais complexidade. Kashkari comentou que “a incerteza é um entrave para a economia em geral”. Após a decisão, Trump anunciou uma tarifa global que foi rapidamente aumentada.

Kashkari não espera um aumento significativo da inflação se o governo conseguir restaurar as tarifas derrubadas, mas isso requer cautela por parte do Fed. O presidente do Fed de Chicago, Austan Goolsbee, também expressou preocupações sobre a imprevisibilidade econômica e suas consequências para as políticas empresariais.

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