Animais microscópicos ajudam a combater o aquecimento global, revela estudo

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

Um estudo publicado na revista científica Limnology and Oceanography destaca a importância do zooplâncton na mitigação do aquecimento global. Esses organismos microscópicos, presentes em grandes quantidades nos oceanos, desempenham um papel decisivo na retirada de carbono da atmosfera.

O zooplâncton, que inclui pequenos animais marinhos como copépodes, krill e larvas, atua como um agente ativo no ciclo global do carbono. Ele ajuda a transportar grandes quantidades de CO₂ da superfície dos oceanos para regiões profundas, onde o carbono pode ser armazenado por décadas ou até séculos.

Os autores do estudo explicam que o zooplâncton funciona como uma ponte entre o carbono capturado pelo fitoplâncton e o armazenamento desse carbono nas profundezas do oceano. Essa mediação biológica reduz a concentração de carbono na atmosfera, evitando que ele circule rapidamente entre o oceano e a atmosfera.

O estudo também detalha o funcionamento da chamada bomba biológica de carbono, um mecanismo natural que regula o clima global. O carbono atmosférico é inicialmente absorvido pelo fitoplâncton por meio da fotossíntese e, em seguida, transferido ao longo da cadeia alimentar, com o zooplâncton desempenhando um papel central nesse processo.

Um dos principais mecanismos descritos é a migração vertical diária do zooplâncton. Esses organismos sobem à superfície durante a noite para se alimentar e descem para águas mais profundas durante o dia, funcionando como um “elevador de carbono”. Esse transporte ativo pode ser responsável por até 40% do carbono exportado para o oceano profundo em algumas regiões.

Além disso, a produção de pellets fecais pelo zooplâncton é crucial para o sequestro de carbono. Esses pellets, densos e que afundam rapidamente, levam o carbono para regiões onde ele tem menos chance de retornar à atmosfera, tornando a bomba biológica mais eficiente.

No entanto, o estudo alerta que o papel do zooplâncton na regulação do clima é sensível às mudanças ambientais. O aquecimento dos oceanos, a acidificação das águas e a redução da disponibilidade de alimento podem afetar a migração e a sobrevivência desses organismos, reduzindo a capacidade do oceano de atuar como sumidouro de carbono e acelerando o aquecimento global.

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