Luiz Inácio Lula da Silva, ex-presidente do Brasil, enfrenta novos desafios eleitorais em 2026. Há cinco décadas, Lula atravessa gerações de eleitores, tendo disputado sua primeira eleição para o governo de São Paulo em 1982, sob o lema ‘trabalhador vota em trabalhador’. Naquela época, as pesquisas eram incipientes e o PT desconfiava delas, confiando na vitória. A derrota foi significativa, com Lula obtendo apenas o quarto lugar, enquanto o senador Franco Montoro (PMDB) conquistou a preferência dos eleitores.
A realidade da época marcou o início da trajetória de Lula na persuasão eleitoral, um campo diferente das negociações que realizava nas fábricas. Atualmente, muitos jovens veem Lula como um representante de um sistema corrompido, em contraste com a postura radicalizada da direita bolsonarista, que atrai aqueles que buscam ascensão em um mercado de trabalho em transformação.
Um levantamento de 2022 pela Inflr revelou que 75% dos jovens brasileiros sonham em ser influenciadores digitais, refletindo uma mudança nas aspirações profissionais. Esses jovens, que podem ter acessado a educação superior por meio do Programa Universidade para Todos (ProUni), tendem a valorizar menos as garantias da CLT e a desprezar direitos trabalhistas. O sonho de estabilidade foi substituído pelo desejo de ser ‘gestor de si mesmo’, um contraste com as lutas históricas de Lula.
Os dados da Quaest de fevereiro mostram que metade dos jovens entre 16 e 24 anos desaprovam o governo Lula, enquanto 50% dos eleitores acima de 60 anos o aprovam. Essa mudança na percepção reflete a transformação do eleitorado lulista, que antes via Lula como o ‘novo’ que seduzia a juventude universitária.
Após perder três disputas presidenciais, Lula conquistou a maioria do eleitorado brasileiro em 2002, focando na confiança dos mais pobres e na valorização de benefícios sociais. Seu auge ocorreu em 2010, com 83% de aprovação, e a eleição de Dilma Rousseff como sucessora. No entanto, sua trajetória foi marcada por desafios, incluindo o escândalo do mensalão, o câncer, o impeachment e 580 dias de prisão.
Agora, Lula se prepara para sua sétima eleição presidencial, enfrentando Flávio Bolsonaro (PL), que se apresenta como herdeiro dos votos de Jair Bolsonaro. Lula busca barrar o bolsonarismo e, se eleito, assumiria a Presidência pela quarta vez. Apesar de alguns acreditarem que a eleição será fácil, as pesquisas atuais indicam um cenário de segundo turno acirrado entre Lula e Flávio Bolsonaro.
A resiliência de Lula não elimina os limites estruturais que enfrenta. Sua autoridade simbólica, antes consolidada pela TV aberta, agora compete com influenciadores e pastores midiáticos. Para reconquistar a juventude, Lula precisará adaptar sua mensagem e se conectar com eleitores formados no século XXI, buscando fazer história mais uma vez.

