Diretora de escola pública no TO se afasta após chamar autismo de ‘transtorno da moda’

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

A diretora da Escola Municipal de Tempo Integral Odair Lúcio, Carla Martins de Barros, pediu afastamento após a repercussão de um vídeo em que chamou o Transtorno do Espectro Autista (TEA) de ‘transtorno da moda’. O vídeo gerou controvérsia nas redes sociais e levou a Prefeitura de Gurupi a instaurar uma sindicância para apurar os fatos.

Carla se apresenta como pedagoga, pós-graduada em orientação educacional, funcionária pública municipal e acadêmica de Direito. Desde 2018, ela é concursada como professora da Prefeitura Municipal de Gurupi, recebendo um salário bruto de R$ 9.612,80, conforme dados do portal da transparência.

A escola que ela dirigia possui salas de Atendimento Educacional Especializado (AEE) e frequentemente publica conteúdos sobre inclusão e intervenções pedagógicas com alunos autistas. A Secretaria Municipal de Educação (Semeg) informou que o afastamento foi solicitado pela própria diretora, que se colocou à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.

No vídeo, Carla afirmou não aceitar comportamentos agressivos de crianças autistas, dizendo: ‘Transtorno da moda. Não é que eu não entenda, só que limite, todo ser humano precisa ter.’ Sua fala gerou uma reação negativa, levando a prefeita Josi Nunes a se pronunciar nas redes sociais, reafirmando o compromisso da gestão com a inclusão e a garantia de direitos das crianças atípicas.

A Prefeitura de Gurupi declarou que vai ouvir todos os envolvidos e tomar as medidas cabíveis. A rede municipal de ensino conta com 24 salas de AEE e cerca de 400 estudantes com diagnóstico de TEA, além de uma equipe multidisciplinar que apoia as escolas e as famílias.

A Prefeitura também destacou o projeto Mundo do Theo, implantado em 2025, que visa fortalecer a inclusão na Educação Infantil e no Ensino Fundamental. A gestão reafirmou seu compromisso com a transparência e o diálogo com a comunidade escolar.

A Semeg informou que a prefeita determinou um acompanhamento rigoroso da situação e a instauração de uma sindicância para apurar os acontecimentos de forma criteriosa. A diretora se afastou voluntariamente para garantir a isenção da apuração e reafirmou seu compromisso com a verdade e a lisura do serviço público.

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