Sócios alertaram Rodrigo Crespo sobre riscos de abrir uma casa de apostas

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

O advogado Rodrigo Marinho Crespo, de 42 anos, foi morto a tiros no Rio de Janeiro. Sócios de Crespo o alertaram sobre os riscos de abrir uma casa de apostas meses antes do assassinato, ocorrido em 26 de fevereiro de 2024.

Durante o júri popular de três acusados de participar do crime, que começou em 5 de março de 2026, um dos sócios afirmou: “Qualquer jogo explorado no RJ tem dono”. A sessão foi interrompida e será retomada na manhã de 6 de março, com o debate entre o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) e as defesas dos réus.

Crespo havia manifestado interesse em abrir um “sports bar” com apostas online, utilizando uma plataforma própria sediada na Ásia. O local seria em Botafogo, onde já existia uma casa de pôquer. No entanto, o projeto não chegou a ser concretizado.

No dia 12 de dezembro de 2023, Crespo questionou seus sócios João Rachid e Antônio Wanderler Júnior sobre a abertura da casa de apostas, mencionando valores de 25 mil euros e R$ 150 mil. Wanderler alertou que Crespo precisaria de autorização para realizar o projeto, afirmando: “Você tem que pagar um pedágio aí, para a informalidade, para essas famílias aí. Não tem escapatória”.

Rachid elogiou a ideia do bar, mas desaconselhou Crespo a seguir com a abertura da casa de apostas, ressaltando que era uma tarefa complicada que exigiria um financiador. Crespo, por sua vez, estava empolgado e acreditava que não precisaria negociar com bicheiros, afirmando: “O bom é que a gente não precisa falar com bicheiro nenhum”.

Em 2023, os pontos de máquinas caça-níqueis e jogo do bicho na Zona Sul e parte da Zona Norte mudaram de mãos, passando de Bernardo Bello para Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho. O MPRJ acredita que o interesse de Crespo em entrar no mercado de apostas foi a motivação para seu homicídio.

Os réus do julgamento são Leandro Machado da Silva, Cezar Daniel Mondego de Souza e Eduardo Sobreira de Moraes, que foram acusados de envolvimento no crime. Leandro, um policial militar, foi afastado do cargo após a denúncia do MPRJ ser aceita em abril de 2024. As investigações indicam que os réus monitoraram Crespo antes do assassinato, e o atirador que o atingiu ainda não foi identificado.

Compartilhe esta notícia