Mulheres perdem mais peso que homens com canetas para emagrecer

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

Um novo levantamento indica que mulheres podem ter vantagens na perda de peso ao usar medicamentos agonistas de GLP-1, amplamente discutidos no tratamento da obesidade e diabetes tipo 2. A pesquisa analisou 64 estudos, com acompanhamento variando de 12 a 144 semanas.

Em seis dos estudos, que separaram os resultados por gênero e reuniram quase 20 mil participantes, as mulheres perderam cerca de 10,9% do peso corporal inicial, enquanto os homens tiveram uma redução média de 6,8%. Os medicamentos analisados incluíram semaglutida, dulaglutida, liraglutida e exenatida, além de combinações de insulina com agonistas de GLP-1.

Os pesquisadores investigaram se características dos pacientes, como idade, raça, etnia, índice de massa corporal (IMC) inicial e níveis de hemoglobina glicada (HbA1c), afetavam a eficácia dos medicamentos na perda de peso. O resultado sugere que a resposta ao tratamento foi semelhante entre a maioria dos grupos, exceto pelo gênero.

Os autores do estudo afirmam que as “canetas” funcionam de forma uniforme na população elegível, mas podem ter efeitos mais intensos nas mulheres. Apesar disso, uma parcela dos pacientes não apresenta perda de peso significativa, o que levanta questões sobre os fatores que influenciam a resposta ao tratamento.

““Há uma enorme demanda por esses medicamentos caros e amplamente usados, mas ainda sabemos pouco sobre como eles funcionam em diferentes grupos de pessoas”, disse Hemalkumar Mehta, coautor do estudo.”

Entre as hipóteses para a diferença de resposta estão interações hormonais, diferenças na composição corporal, metabolização distinta do medicamento e menor peso corporal médio nas mulheres, que pode amplificar o efeito da perda de peso.

O endocrinologista Carlos Eduardo Couri, pesquisador da USP de Ribeirão Preto, destaca que a meta-análise relativiza a crença de que as mulheres teriam mais dificuldade para reduzir peso. “A perda média de peso foi cerca de 50% maior nas mulheres do que nos homens”, observa.

Couri também ressalta que a idade não foi um fator determinante na diferença observada. “O benefício no sexo feminino parece ocorrer independentemente da faixa etária, incluindo mulheres após a menopausa.”

Embora o mecanismo exato ainda não esteja completamente esclarecido, algumas hipóteses fisiológicas fazem sentido. A composição corporal média das mulheres pode resultar em uma dose proporcionalmente maior do medicamento por quilo de peso, aumentando o efeito. Além disso, pode haver uma interação favorável entre a ação do GLP-1 e o estrogênio.

Os autores do estudo reconhecem limitações na meta-análise, como a análise de apenas uma parte dos ensaios clínicos que consideraram diferenças entre subgrupos de pacientes. A maioria dos estudos foi financiada pela indústria farmacêutica, e a análise incluiu apenas estudos publicados até julho de 2024, excluindo medicamentos mais recentes, como a tirzepatida.

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