Fechamento do Estreito de Ormuz pode afetar economia global, alerta especialista

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

O especialista em investimentos internacionais Beny Fard alertou sobre as consequências que um possível fechamento do Estreito de Ormuz poderia causar na economia mundial, especialmente nos preços do petróleo e na inflação global.

O aumento no preço do petróleo, provocado por tensões no Oriente Médio, tem efeito cascata, pressionando o valor dos combustíveis e, consequentemente, a inflação de diversos produtos do dia a dia.

““Do ponto de vista dos cidadãos americanos, o grande desafio de Donald Trump é controlar esse conflito de tal forma que não haja uma majoração muito maior do que o teto que está se estimando para o petróleo”, apontou Fard.”

Fard destacou que somente até a manhã de hoje, algo como R$ 50 bilhões haviam fluído de investidores globais no movimento de busca por segurança nos títulos do tesouro norte-americano.

O impacto econômico não se limita aos Estados Unidos. A valorização do dólar resultante desse cenário provoca desvalorização de moedas em países emergentes, como o Brasil, o que pressiona taxas de juros a médio e longo prazo.

““Isso faz com que também haja uma valoração do dólar, uma desvalorização de moedas, inclusive em países emergentes como o Brasil, que sofre um efeito no câmbio”, explicou Fard.”

O Estreito de Ormuz representa um ponto crucial para o comércio global, especialmente para o fluxo de petróleo. Um bloqueio prolongado afetaria não apenas os países vizinhos, mas também nações que dependem do fluxo de commodities e bens de consumo que passam pela região.

““A China não é autossuficiente do ponto de vista de produção de petróleo, precisa importar muito mais petróleo do que é capaz de produzir. A Índia importa mais de 90% do petróleo que consome, o Japão também”, afirmou o especialista.”

O Brasil, mesmo distante geograficamente do conflito, também sofreria consequências significativas. O país depende da importação de insumos essenciais, incluindo fertilizantes, que são fundamentais para a cadeia do agro.

““Nós importamos insumos, dentre eles especialmente fertilizantes. E a gente depende de fertilizantes para a nossa cadeia do agro, que é responsável por boa parte do nosso superávit primário”, alertou o especialista.”

Fard concluiu que a atual situação expõe a fragilidade do modelo de globalização implementado desde a década de 1990, destacando que a ruptura das cadeias de valor durante e após a pandemia causou aumento do custo de capital globalmente e uma inflação que não se via há muitas décadas em alguns países.

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