PF investiga irregularidades em investimentos do Amazonprev no Amazonas

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

A Polícia Federal (PF) investiga quatro pessoas por suspeitas de irregularidades em investimentos do fundo previdenciário do Amazonas, o Amazonprev. A operação apura investimentos que totalizam R$ 390 milhões, realizados entre junho e setembro de 2024 em letras financeiras de bancos privados.

Entre os alvos da investigação estão um diretor, dois ex-gestores do órgão e um empresário. Os investigados são: Claudinei Soares, ex-gestor de recursos e coordenador do comitê de investimentos; Cláudio Marins de Melo, diretor de Administração e Finanças; André Luis Bentes de Souza, ex-diretor de Previdência; e Sávio Loyola e Silva, proprietário da empresa ALFA A Consultoria e Gestão de Frota Ltda.

A PF aponta indícios de gestão temerária e corrupção ativa e passiva. A Justiça autorizou mandados de busca e apreensão e o afastamento dos servidores por 90 dias para evitar interferências nas investigações. As ações ocorreram em endereços dos investigados, na sede do Amazonprev, em Manaus, e na empresa de um dos suspeitos.

De acordo com a PF, Claudinei Soares é considerado o principal responsável por ordenar e executar aplicações financeiras sem deliberação prévia do Comitê de Investimentos. Ele teria determinado operações de grande valor e, em alguns casos, fracionado operações para contornar limites administrativos.

Cláudio Marins de Melo teria autorizado e ratificado as aplicações, mesmo diante de irregularidades e da ausência de aprovação formal. André Luis Bentes de Souza teria participado das discussões no Comitê de Investimentos e atuado no credenciamento de instituições financeiras, como os bancos Master e C6, facilitando as aplicações investigadas.

Sávio Loyola e Silva é investigado por sua empresa ter transferido cerca de R$ 600 mil a servidores e gestores ligados às aplicações, sem contratos ou justificativas econômicas. Essas movimentações ocorreram no mesmo período das decisões sobre os investimentos.

A auditoria do Ministério da Previdência identificou cinco operações suspeitas: R$ 50 milhões no Banco Master em junho de 2024; R$ 50 milhões no Banco Daycoval em agosto de 2024; R$ 40,7 milhões no Banco BTG Pactual em setembro de 2024; e duas operações de R$ 125 milhões cada no Banco C6 Consignado em setembro de 2024. Algumas aplicações foram feitas sem aprovação formal e com bancos não credenciados.

As operações foram intermediadas pelas corretoras Terra Investimentos e Mirae Asset, utilizadas sem demonstração de critérios objetivos para a escolha. A auditoria também identificou falhas de governança e descumprimento de normas de gestão.

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