Um Irã fragilizado e fragmentado não seria benéfico para as monarquias do Golfo Pérsico, mesmo que estas vejam o atual regime iraniano como uma ameaça aos seus sistemas de governo. A análise é da especialista em Oriente Médio Luíza Cerioli, que questiona a ideia de que esses países desejariam a destruição do Irã.
“Eu não acredito que as monarquias do Golfo têm interesse de um Irã fragilizado”, afirma Cerioli. Ela destaca que, embora Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos mantenham posicionamentos mais críticos em relação ao Irã, outros países como Catar, Kuwait e Bahrein não desejam ver o país totalmente desestabilizado.
A especialista explica que um possível colapso do regime iraniano representaria uma fonte significativa de instabilidade para toda a região. “A possibilidade de que esse não vai ter um efeito, um spillover, não vai ter um reflexo na estabilidade regional é muito baixo”, alerta Cerioli.
Cerioli lembra que o próprio Conselho de Cooperação do Golfo foi criado durante a guerra Irã-Iraque, em resposta às preocupações com a estabilidade regional. As monarquias do Golfo têm desenvolvido economias cada vez mais dependentes do turismo e do mercado financeiro, setores que seriam gravemente afetados por uma crise regional.
Países como os Emirados Árabes Unidos e, mais recentemente, a Arábia Saudita, investem na diversificação econômica, afastando-se da dependência exclusiva do petróleo. Luíza ressalta que a questão religiosa é um fator complicador. “Existem maiorias xiitas no Iraque, na Arábia Saudita tem uma maioria xiita muito grande, exatamente na região onde tem maiores poças de petróleo”, conclui.

