Os ataques israelenses contra o grupo Hezbollah, apoiado pelo Irã, no Líbano, devem continuar após o término da guerra aérea conjunta com os EUA contra o Irã. A informação foi confirmada por uma fonte informada sobre a estratégia militar de Israel, que descreveu as duas frentes como desconectadas.
Israel havia alertado o Líbano antes do início da guerra que retaliaria severamente caso o Hezbollah, considerado o mais poderoso representante regional do Irã, se envolvesse no conflito. Na segunda-feira, o Hezbollah disparou foguetes contra Israel, o que resultou em ataques israelenses nos subúrbios ao sul de Beirute e nas regiões leste e sul do Líbano.
Na quinta-feira, as Forças Armadas de Israel advertiram os civis libaneses a deixarem os subúrbios ao sul de Beirute, após ordenar a evacuação de uma ampla faixa do sul do país. Os ataques aéreos tinham como objetivo, segundo uma fonte militar, “remover a ameaça” representada pelo Hezbollah.
No início da sexta-feira, o Hezbollah emitiu um aviso aos israelenses para que deixassem as cidades próximas à fronteira. A fonte que falou sob condição de anonimato afirmou que Israel não toleraria que os residentes do norte de Israel, que não deixaram suas cidades e vilarejos, ficassem sob fogo.
A fonte também indicou que as operações israelenses no Líbano provavelmente continuarão mesmo após o fim dos ataques do Irã. Dois altos funcionários de segurança libaneses e um funcionário de segurança estrangeiro baseado no Líbano também preveem a continuidade das operações militares de Israel no Líbano, mesmo quando o conflito mais amplo com o Irã chegar ao fim.
“Trata-se de acabar com o Hezbollah de uma vez por todas”, declarou uma das autoridades de segurança libanesas sobre o grupo, que já exerceu grande influência sobre o Estado libanês antes que os ataques israelenses em 2024 resultassem na morte de seu líder e de muitos de seus combatentes.
O aumento da tensão entre Hezbollah e Israel se intensificou após os ataques de Israel e dos Estados Unidos ao Irã no último final de semana. Na madrugada desta sexta-feira (6), Israel realizou novos bombardeios em Dahieh, um subúrbio ao sul de Beirute considerado um reduto do Hezbollah. Os ataques ocorreram após o Exército israelense anunciar, na quinta-feira (5), que havia iniciado operações contra infraestruturas do grupo na capital libanesa.
Uma autoridade da ONU para refugiados informou que cerca de 96 mil pessoas estão em abrigos em 441 instalações coletivas no Líbano. O Ministério da Saúde libanês reportou que 102 pessoas foram mortas em ataques israelenses, sem distinguir entre civis e combatentes. O Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) afirmou que sete crianças foram mortas.

