Comércio da China inicia 2026 com crescimento, mas incertezas geopolíticas persistem

Amanda Rocha
Tempo: 4 min.

O comércio da China começou o ano de 2026 mais forte do que o esperado, ampliando o impulso do ano anterior. No entanto, a piora do cenário geopolítico gera novas incertezas para os exportadores e as cadeias de oferta, conforme afirmaram autoridades nesta sexta-feira (6).

Pequim divulgou na quinta-feira (5) uma meta de crescimento ligeiramente menor para 2026, estabelecendo um intervalo de 4,5% a 5%, em comparação aos 5% do ano passado. Este crescimento foi alcançado em grande parte por meio de um aumento de um quinto no superávit comercial, que atingiu um recorde de US$ 1,2 trilhão.

O ministro do Comércio, Wang Wentao, destacou que o governo está atento ao superávit do ano passado e às opiniões dos parceiros comerciais. “Nossa próxima prioridade é promover um desenvolvimento comercial mais equilibrado. As exportações e as importações são como as duas rodas de um carro – se estiverem equilibradas, o carro funciona melhor e pode ir mais longe”, afirmou Wang durante coletiva de imprensa à margem da reunião parlamentar anual.

Wang explicou que “comércio equilibrado” significa estabilizar as exportações e, ao mesmo tempo, expandir as importações, aproveitando o vasto mercado da China para importar mais produtos agrícolas, bens de consumo de qualidade, equipamentos avançados e componentes importantes. A China tem prometido expandir as importações há anos.

No ano passado, enquanto as remessas para os EUA caíram em um quinto, as exportações para o resto do mundo aumentaram acentuadamente, à medida que os produtores conquistaram novos mercados para se protegerem das políticas tarifárias agressivas do presidente dos EUA, Donald Trump. As exportações da China cresceram 6,6% em dezembro em relação ao ano anterior em termos de valor em dólares, enquanto as importações aumentaram 5,7%.

Wang afirmou que o comércio da China continuou o impulso do ano passado em janeiro e fevereiro, e que, embora os números oficiais ainda não tenham sido divulgados, o desempenho foi “melhor do que o esperado”. No entanto, ele alertou que o ambiente externo continua severo e complexo, e as pressões sobre o comércio ainda são significativas.

“Nas últimas semanas, a escalada dos conflitos geopolíticos interrompeu a ordem econômica e comercial internacional e as cadeias globais de oferta, tornando as condições ainda mais incertas e instáveis”, acrescentou.

Fontes diplomáticas informaram que a China está em negociações com o Irã para permitir a passagem segura de navios de petróleo bruto e gás natural liquefeito do Catar pelo Estreito de Ormuz. Na mesma coletiva, Pan Gongsheng, presidente do banco central da China, comentou que a guerra dos EUA e de Israel contra o Irã provocou um aumento acentuado no sentimento global de aversão ao risco, alimentando a volatilidade do índice do dólar e de outras moedas.

O banco central manterá a flexibilidade do iuan e incentivará as instituições financeiras a fornecer serviços de hedge para as empresas. Pan acrescentou que mais de 60% do comércio da China está menos exposto às oscilações da taxa de câmbio do que o restante.

Compartilhe esta notícia