Mãe de Lucas Terra celebra condenação de pastores, mas pede prisões imediatas

Amanda Rocha
Tempo: 4 min.

Marion Terra, mãe do adolescente Lucas Terra, comemorou a decisão da Justiça da Bahia que manteve a condenação dos pastores Joel Miranda e Fernando Aparecido da Silva pela morte de seu filho. No entanto, ela afirmou que solicitará a prisão imediata dos condenados.

“Esses anos foram como uma punição, uma condenação. Era como se eu tivesse sido condenada. Eu sempre pedia para Deus para que não desistisse desse caso, que me desse força”, relatou Marion. Ela ainda destacou: “Sou uma mãe que perdeu um filho e não conseguia fechar o luto. Vinte e cinco anos. Foi como um massacre para mim, como se eu tivesse sido condenada”.

A decisão foi unânime e ocorreu durante uma audiência realizada em Salvador na quinta-feira (5). O crime aconteceu em março de 2001, quando Lucas tinha 14 anos. Ele foi estuprado, queimado vivo e teve seu corpo abandonado em um terreno baldio na capital baiana. A condenação dos pastores ocorreu 22 anos depois, em um júri realizado em abril de 2023.

Embora condenados a 21 anos de prisão em regime fechado, os pastores permanecem em liberdade enquanto aguardam recurso. A defesa ainda pode apresentar embargos ou outros recursos, mas a legislação permite que a execução da pena seja requerida após a decisão recente. A família de Lucas informou que formalizará o pedido para que os pastores sejam presos.

Marion Terra comentou sobre a dificuldade enfrentada durante o processo: “Foi um processo muito longo por causa do poder econômico da instituição que eles [os pastores] fazem parte. Até hoje toda a equipe de advogados que os defende é sustentada pela instituição”. Ela acrescentou: “Parecia que nós, pais do Lucas Terra, éramos os bandidos, e eles, as vítimas, porque foram protegidos pelo Estado. Os assassinos mataram meu filho uma vez, mas o Estado nos matou inúmeras vezes com cada recurso e agravo”.

A defesa dos pastores, por sua vez, afirmou que continua convicta da inocência deles e que recorrerá da decisão. O júri que resultou na condenação dos pastores durou dois dias, com a primeira audiência ocorrendo em 25 de abril de 2023 e a segunda dois dias depois, quando a juíza Andréia Sarmento anunciou a sentença às 21h30.

A pena inicial foi de 18 anos, mas foi aumentada devido a agravantes como motivo torpe, emprego de meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima. Durante o júri, cinco testemunhas de acusação e uma de defesa foram ouvidas, e a mãe da vítima, Marion, se emocionou ao depor.

Entre as testemunhas de acusação, uma afirmou ter visto Lucas na noite em que ele desapareceu, na Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), e outra relatou ter recebido instruções de um pastor da IURD para suspender as buscas por Lucas. No segundo dia do júri, as esposas dos pastores testemunharam a favor deles, mas a advogada de acusação apontou contradições nos depoimentos.

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