Empresas devem investir em liderança feminina, aponta especialista

Amanda Rocha
Tempo: 2 min.

A presença feminina no mercado de trabalho avançou nas últimas décadas, mas a ascensão a cargos de liderança ainda enfrenta barreiras culturais e comportamentais. A jornalista Maria Priscila Nabozni, fundadora da agência MAPA 360, destaca que um dos desafios é a dinâmica entre mulheres no ambiente profissional.

“Quando uma mulher cresce, ela abre caminho para outras. Esse deveria ser o raciocínio mais comum dentro das empresas”, afirma Priscila. Ela observa que o empreendedorismo muitas vezes surge como uma alternativa mais rápida para a ascensão feminina em comparação ao mundo corporativo tradicional.

Priscila menciona que, na MAPA 360, cerca de 68% da equipe é composta por mulheres e 64% dos cargos de liderança são ocupados por elas. Para a jornalista, esse tipo de ambiente demonstra que a mudança ocorre quando a cultura organizacional é construída de forma consciente.

Os números variam entre setores. Enquanto áreas de serviços apresentam cerca de 56% de liderança feminina, segmentos como indústria e agronegócio ainda registram participação muito menor. Priscila critica empresas que defendem a diversidade apenas no discurso. “Não adianta falar de inclusão se toda a liderança continua sendo masculina. O exemplo precisa vir de cima”, ressalta.

Apesar dos obstáculos, Priscila vê um movimento positivo em curso. Cada vez mais mulheres estão investindo em formação, estratégias de carreira e ferramentas como o personal branding para ampliar sua presença em posições de decisão. No entanto, elas ainda enfrentam duplos padrões: quando uma mulher líder é direta, pode ser vista como grosseira, enquanto um homem é considerado assertivo.

Para Priscila, reconhecer esse preconceito e reduzir a autocobrança feminina — de ser perfeita como profissional, mãe, esposa e gestora da casa — também faz parte da mudança que está em andamento.

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