As exportações de veículos brasileiros enfrentam uma queda significativa em 2026, com uma redução de 28% no primeiro bimestre, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Foram exportadas 59,4 mil unidades, em comparação com 82,4 mil no mesmo período do ano anterior.
A Argentina, que foi um mercado importante para os resultados positivos de 2025, registrou uma queda nas exportações de veículos brasileiros, passando de 15,6 mil para 14,4 mil unidades, o que representa uma redução de 7,5%. O presidente da Anfavea, Igor Calvet, expressou preocupação com essa retração, afirmando:
““Causa preocupação a retração expressiva nas exportações para a Argentina, mercado que nos ajudou muito nos resultados positivos de 2025.””
Em 2025, a Argentina foi responsável por 302 mil das 528 mil unidades exportadas, contribuindo para um aumento de 32% nas exportações. No entanto, os emplacamentos de automóveis na Argentina caíram 37% em fevereiro em relação a janeiro, refletindo incertezas sobre as reformas do presidente Javier Milei.
Apesar da queda nas exportações, os números do México mostraram um crescimento de 318%, com embarques saltando de 2,2 mil para 9,1 mil veículos. O Chile também teve um aumento de 34,1%, passando de 1,6 mil para 2,2 mil unidades.
No Brasil, as vendas de veículos totalizaram 355,7 mil unidades no primeiro bimestre, uma leve queda de 0,1% em relação ao mesmo período de 2025. No entanto, as vendas de automóveis e comerciais leves aumentaram 1,8%, enquanto as vendas de caminhões e ônibus caíram 29,4%.
A produção de veículos no Brasil foi de 338 mil unidades, com uma queda de 8,9% em relação ao ano anterior. Os veículos eletrificados venderam 28,1 mil unidades, com 43% sendo nacionais. Calvet comentou sobre os investimentos em tecnologia e produção:
““Esse já é um sinal dos investimentos em tecnologia e produção anunciados pelas fábricas nos últimos anos.””
Calvet também destacou que o aumento da taxa Selic em 2025 pressionou a indústria e o mercado consumidor, afirmando:
““A Selic nesse nível tem o poder de afetar negativamente os investimentos e o poder de consumo.””
Embora haja expectativa de redução da Selic em 2026, os efeitos devem demorar a ser sentidos, com previsões para o início de 2027.
A guerra no Oriente Médio já está impactando o preço do petróleo e a cadeia logística, mas Calvet afirmou que ainda não há alerta de desabastecimento de componentes e matérias-primas, embora a situação esteja sendo monitorada.

