Impacto de nave da NASA alterou órbita de asteroide ao redor do Sol, aponta estudo

Amanda Rocha
Tempo: 4 min.

Um asteroide que a NASA usou como alvo em um teste há alguns anos teve sua órbita alterada ao redor do Sol. A descoberta, divulgada por pesquisadores nesta sexta-feira, pode auxiliar na futura desvio de rochas espaciais potencialmente destrutivas.

Este é o primeiro caso em que a órbita de um corpo celeste foi alterada de forma deliberada. O asteroide atingido pela nave Dart, da NASA, nunca representou ameaça para a Terra. A equipe internacional de pesquisadores destacou que “este estudo representa um avanço importante na nossa capacidade de evitar impactos de asteroides na Terra no futuro”.

As mudanças na órbita foram pequenas. O impacto reduziu em apenas um décimo de segundo o tempo da órbita e diminuiu em cerca de 720 metros o percurso de uma volta ao redor do Sol, que dura dois anos e percorre centenas de milhões de quilômetros. O autor principal do estudo, Rahil Makadia, da Universidade de Illinois em Urbana-Champaign, afirmou: “Embora pareça pouco, um pequeno desvio pode se acumular ao longo de décadas e fazer a diferença entre um asteroide potencialmente perigoso atingir ou não a Terra no futuro”.

A nave Dart, lançada em 2021, colidiu deliberadamente com Dimorphos, um pequeno asteroide que orbita um corpo maior chamado Didymos. Após o impacto, em 2022, a NASA confirmou que a colisão havia encurtado a órbita de Dimorphos ao redor do asteroide maior. Observações feitas por telescópios ao redor do mundo confirmaram que o impacto também reduziu em 0,15 segundo o tempo que o sistema leva para completar uma volta ao redor do Sol, que dura 769 dias.

Isso corresponde a uma desaceleração de pouco mais de 10 micrômetros por segundo e a uma redução de 720 metros na órbita de cerca de 480 milhões de quilômetros. Os pesquisadores notaram que as rochas e detritos lançados ao espaço na colisão contribuíram tanto quanto a própria nave para empurrar Dimorphos, dobrando o efeito do impacto. Uma equipe ítalo-americana estimou que cerca de 16 milhões de quilos de rocha e poeira foram ejetados durante a colisão.

A boa notícia é que, mesmo com a mudança na trajetória, a Terra continua fora do caminho desses asteroides no futuro previsível. Steven Chesley, do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA, que participou do estudo, afirmou: “Embora seja apenas um experimento, ele representa um dado importante que será útil para futuras missões de desvio de asteroides”.

Os cientistas esperam aprender ainda mais sobre as consequências do impacto quando a nave Hera, da Agência Espacial Europeia (ESA), chegar ao sistema em novembro. Dimorphos tem cerca de 160 metros de diâmetro, enquanto Didymos mede cerca de 780 metros de largura e possui cerca de 200 vezes mais massa que seu companheiro. Diferentemente da Dart, a Hera não irá colidir com os asteroides, mas permanecerá na região por vários meses realizando observações detalhadas.

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