O governo de Donald Trump emitiu nesta sexta-feira, 6 de março de 2026, uma autorização para a venda de parte do ouro da Venezuela aos Estados Unidos. Essa medida representa uma nova flexibilização das sanções de Washington contra Caracas desde a queda de Nicolás Maduro no início do ano.
Um documento publicado no site do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos informa que as transações com a Companhia Geral de Mineração da Venezuela (Minerven) ou suas filiais estão novamente autorizadas. A licença permite, por enquanto, apenas as trocas por meio dos Estados Unidos e para empresas estabelecidas no país, que estão autorizadas a reexportar o metal precioso.
A licença prevê um procedimento de rastreabilidade para garantir que o ouro provenha efetivamente da Venezuela e proíbe transações com destino ao Irã, Coreia do Norte, Rússia, China e Cuba, uma condição que já se aplica às vendas de petróleo venezuelano.
Os Estados Unidos já voltaram a autorizar a exportação de petróleo venezuelano, mas mantêm o controle sobre o processo. O produto gerado pela venda do petróleo bruto, assim como os impostos vinculados, devem ser depositados em um fundo específico supervisionado pelo Departamento do Tesouro e atualmente sediado no Catar. Este procedimento também será aplicado às vendas de ouro.
A licença do Tesouro sobre o ouro venezuelano foi divulgada após a visita de dois dias do secretário do Interior do governo Trump, Doug Burgum, à Venezuela. Durante a visita, Burgum manteve conversas com a presidente interina Delcy Rodríguez, ex-vice-presidente de Maduro, e afirmou que dezenas de empresas haviam manifestado interesse em investir na Venezuela.
O governo Trump afirma que administra de fato a Venezuela e controla os vastos recursos naturais do país após a derrubada de Maduro durante uma incursão de forças especiais americanas em 3 de janeiro. Após a captura de Maduro e da esposa, Cilia Flores, que foram levados de avião para Nova York para serem julgados por acusações de narcotráfico, o secretário de Energia de Trump, Chris Wright, tornou-se em fevereiro o primeiro alto funcionário dos Estados Unidos a viajar para a Venezuela.
Além do petróleo, a Venezuela é rica em minerais como ouro e diamantes, além de bauxita, coltan e outros materiais raros usados para fabricar computadores e telefones celulares.

