Fed não vê urgência em mudar política de juros, afirma Susan Collins

Amanda Rocha
Tempo: 4 min.

A presidente do Fed (Federal Reserve, o banco central norte-americano) de Boston, Susan Collins, afirmou nesta sexta-feira (6) que não vê urgência para alterar a política monetária. Ela defendeu uma abordagem paciente enquanto as autoridades avaliam a trajetória da inflação nos Estados Unidos.

Segundo Collins, o Fed precisa observar sinais mais claros de desaceleração dos preços antes de considerar mudanças nos juros. Ela declarou:

““Não vejo urgência para ajustes adicionais de política””

e

““estarei buscando evidências claras de que a inflação está se movendo de forma duradoura para a meta de 2%””

.

A dirigente avaliou que a política monetária está atualmente bem posicionada e que as taxas devem permanecer em níveis moderadamente restritivos por algum tempo, enquanto o Fed acompanha os dados econômicos. Sobre o mercado de trabalho, Collins mencionou que a taxa de desemprego, em 4,4% em fevereiro, segue baixa em termos históricos e permaneceu relativamente estável nos últimos meses.

Ela acrescentou que o enfraquecimento observado no mercado de trabalho em 2025 ocorreu em meio à desaceleração das contratações, mas destacou que o quadro geral ainda parece equilibrado. Para 2026, a dirigente disse esperar crescimento econômico sólido, apoiado por condições financeiras favoráveis, cortes de impostos e investimentos empresariais, incluindo gastos ligados à inteligência artificial.

Ainda assim, Collins avaliou que o ritmo de criação de empregos pode continuar moderado, embora exista a possibilidade de alguma aceleração após o recente período de baixa contratação. No campo da inflação, ela ressaltou que as perspectivas permanecem incertas e com riscos de alta.

Collins afirmou que tarifas comerciais recentes já pressionaram os preços de bens e novos aumentos nas tarifas poderiam gerar pressões inflacionárias adicionais. Apesar desses riscos, a dirigente disse esperar que a inflação diminua gradualmente ao longo do tempo. Em seu cenário-base, o processo de desinflação deve retomar ainda este ano, embora a demanda possa continuar exercendo alguma pressão sobre os preços e retardar o retorno à meta de 2%.

A presidente do Federal Reserve também mencionou que as perspectivas econômicas dos Estados Unidos seguem cercadas por incertezas, agravadas por fatores geopolíticos recentes, como as hostilidades no Oriente Médio. Segundo ela, o crescimento econômico em 2025 foi mais forte do que muitos analistas esperavam, mesmo diante de fatores adversos como mudanças nas políticas tarifárias, restrições à imigração e um prolongado shutdown do governo.

Collins destacou que diferentes setores da economia têm experimentado condições distintas, com algumas famílias de renda mais baixa enfrentando pressões financeiras. Apesar da expansão da atividade, o mercado de trabalho apresentou sinais de moderação ao longo do último ano. A criação de empregos ficou bem abaixo do ritmo observado em anos recentes, mesmo sem a economia estar em recessão.

Ela ressaltou que parte desse movimento pode refletir tanto a incerteza econômica quanto ganhos de produtividade em empresas. Segundo Collins, avanços tecnológicos – incluindo a adoção de IA (inteligência artificial), automação e melhorias em processos produtivos – têm contribuído para tornar as operações mais eficientes.

Na avaliação de Collins, a produtividade do trabalho tem crescido em ritmo mais forte desde a pandemia de covid-19 em comparação ao período anterior, refletindo mudanças tecnológicas e organizacionais em diversas empresas. Ela acrescentou que ainda é cedo para avaliar plenamente como essas transformações afetarão a demanda por mão de obra no futuro.

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