Jovens iranianos buscam alternativas de comunicação durante bloqueios

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

Muitos jovens iranianos, que normalmente não têm televisões ou antenas parabólicas e dependem da internet para obter informações, estão usando a criatividade durante os apagões de comunicação em todo o país. Um morador de Teerã, de 35 anos, comentou sobre a situação: “A ruína deste regime é que eles sempre fazem a mesma coisa. Sabíamos que fariam isso”. Ele lamentou a falta de opções de comunicação e culpou os apagões por algumas das mortes, afirmando: “Se houvesse internet, talvez algumas dessas pessoas não tivessem sido mortas nesses ataques. Talvez nem tivessem morrido.”

O homem descreveu como as pessoas dentro do Irã estão “criando sua própria cadeia de informações”. Ele explicou que começaram a se comunicar com conhecidos em diferentes áreas para manter a informação fluindo. “Começamos a contar uns aos outros o que estava acontecendo, quem tinha morrido, onde tinham bombardeado. Se por acaso nos sentíamos muito preocupados, nos reuníamos na casa de alguém para termos certeza de que ninguém estava ouvindo”.

Os iranianos também estão utilizando seções de comentários públicos de sites governamentais e veículos de notícias para conversar entre si, mesmo que alguns desses sites já tenham sido fechados. “Era uma situação fundamentalmente bizarra, em que as pessoas publicavam comentários contra o governo, mas em um site do governo”, disse o morador. Ele acrescentou que “as pessoas que não conseguem acessar VPNs acabarão encontrando outras maneiras”.

Os bloqueios de internet no Irã se intensificaram após uma onda de ataques dos Estados Unidos e Israel, que começaram no dia 28 de fevereiro, em meio a tensões sobre o programa nuclear iraniano. O regime iraniano iniciou retaliações contra países do Oriente Médio que abrigam bases militares norte-americanas, como Emirados Árabes Unidos, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia e Iraque.

No dia seguinte, a mídia estatal iraniana anunciou que o líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, foi uma das vítimas dos ataques. Após o anúncio da morte de Khamenei, o Irã ameaçou lançar a “ofensiva mais pesada” da história. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou que o país considera se vingar pelos ataques de Israel e dos Estados Unidos como um “direito e dever legítimo”.

Em resposta, o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou o Irã contra os ataques retaliatórios, afirmando: “é melhor que eles não façam isso, porque se fizerem, nós os atingiremos com uma força nunca antes vista”. As agressões entre as partes continuaram, com Trump afirmando que os ataques contra o Irã vão prosseguir “ininterruptos durante toda a semana ou pelo tempo que for necessário para alcançarmos nosso objetivo de PAZ EM TODO O ORIENTE MÉDIO E, DE FATO, NO MUNDO!”.

Compartilhe esta notícia