Tubarões-tigre são monitorados via satélite na Baía da Ilha Grande, RJ

Amanda Rocha
Tempo: 2 min.

O Instituto Proshark registrou a primeira agregação e marcação via satélite de tubarões-tigre nas proximidades da Baía da Ilha Grande, em Angra dos Reis, no litoral sul do Estado do Rio de Janeiro.

A iniciativa faz parte do Programa de Monitoramento Integrado de Tubarões e Raias do estado, conduzido pelo Instituto, e representa o primeiro monitoramento ativo e contínuo da espécie com telemetria satelital na região Sudeste-Sul do Brasil.

Até o momento, os registros de tubarões-tigre eram restritos a Fernando de Noronha e Recife, em Pernambuco. No Recife, um edital foi lançado para monitoramento da espécie devido a um histórico de incidentes.

No entanto, na Baía da Ilha Grande, não há registros de incidentes com tubarões-tigre até agora. “Temos a oportunidade de desenvolver essa pauta sob uma perspectiva preventiva, baseada em ciência, gestão e antecipação de riscos”, afirmou Fernanda Lana, diretora-presidente do Instituto Proshark.

A articulação entre ciência aplicada, tecnologia de ponta e gestão pública ambiental visa a antecipação de riscos e a promoção da coexistência responsável. A Baía da Ilha Grande é considerada estratégica para o litoral brasileiro, com alta biodiversidade e intenso fluxo de visitantes.

Confirmar a presença de tubarões-tigre nesse contexto aumenta o interesse público e reforça a importância de decisões baseadas em evidências. A espécie é globalmente ameaçada, principalmente devido à pressão pesqueira sobre juvenis, e em várias regiões do mundo é associada a incidentes com humanos.

Na Baía da Ilha Grande, a convivência histórica sempre foi harmoniosa, agora acompanhada por dados científicos em tempo real. A identificação da agregação de tubarões-tigre começou com a campanha de ciência cidadã “Avistou? Avisou!”, que mobiliza pescadores, mergulhadores, moradores e turistas.

A partir dos relatos, a equipe intensificou expedições de campo, realizou as marcações e passou a receber dados em tempo real, permitindo análises sobre deslocamento, permanência na área, uso de habitat e padrões comportamentais.

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