Baterias de estado sólido prometem recarga em 5 minutos e geram ceticismo no setor

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

As baterias de estado sólido, vistas como uma solução ideal para veículos elétricos, prometem características como leveza, durabilidade e alta densidade energética. Essas baterias substituem o eletrólito líquido, presente nas baterias de lítio convencionais, por um material sólido, o que pode resultar em maior vida útil e eliminação do risco de incêndio.

Recentemente, a startup finlandesa Donut Lab apresentou na CES em Las Vegas a primeira bateria all-solid-state do mundo, com especificações impressionantes: 400 Wh/kg de densidade energética, recarga completa em cinco minutos e vida útil de 100 mil ciclos. O CEO Marko Lehtimäki afirmou: “A disponibilidade para fabricação é agora, hoje, não depois”.

A reação ao anúncio foi intensa. Yang Hongxin, presidente da Svolt Energy, afirmou que a bateria “não pode existir”, considerando os parâmetros apresentados como fisicamente contraditórios. Especialistas e analistas do setor também expressaram ceticismo. Em resposta, Lehtimäki lançou a campanha “I Donut Believe”, prometendo testes independentes semanais em parceria com o Centro de Pesquisa Técnica da Finlândia (VTT).

As motos elétricas da Verge Motorcycles, empresa mãe da Donut, devem ser as primeiras a utilizar essa nova tecnologia, com lançamento previsto para o primeiro trimestre de 2026. O primeiro relatório do VTT, divulgado no final de fevereiro, apresentou resultados de testes de recarga, onde uma célula pouch atingiu 80% de carga em menos de dez minutos e 100% em cerca de 13 minutos.

Em 2 de março de 2026, o VTT publicou uma segunda série de testes, avaliando o desempenho da célula DL2 em altas temperaturas. Surpreendentemente, a bateria apresentou melhor desempenho em temperaturas elevadas, alcançando 110,5% da capacidade nominal a 80°C e 107% a 100°C. No entanto, a embalagem externa da célula perdeu o vácuo após o teste a 100°C.

Eric Wachsman, professor da Universidade de Maryland, comentou que, para serem comercialmente relevantes, as células precisam manter a estabilidade com uma perda de capacidade de 10-20% ao longo de milhares de ciclos. O VTT, por sua vez, registrou que a célula manteve sua capacidade mesmo em altas temperaturas, sem sinais de combustão.

Os próximos testes, prometidos para as semanas seguintes, serão cruciais para validar as afirmações da Donut Lab.

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