Fluxo da Cracolândia se espalha por áreas do Centro de SP; flagrantes de tráfico e consumo

Amanda Rocha
Tempo: 4 min.

Flagrantes realizados em São Paulo mostram o tráfico e o consumo de drogas em diversos pontos do Centro da capital. O chamado ‘fluxo’ da Cracolândia se espalhou pela região, onde é comum ver aglomerações de pessoas consumindo crack.

As imagens registradas pela produção do programa Smart Sampa, em frente ao Mercado Municipal, mostram a movimentação das pessoas na rua. No entanto, o que ocorre a poucos metros, debaixo do Viaduto Diário Popular, não é capturado. Os corredores apertados da ocupação são constantemente movimentados, com usuários de drogas entrando com pequenas quantias de dinheiro e saindo com pedras de crack nas mãos, muitos já com cachimbos improvisados.

A produção acompanhou a movimentação nos dias 26 e 27 de fevereiro. Em uma das gravações, uma equipe da Guarda Civil Metropolitana aparece, e as pessoas se dispersam. Com armas em punho, os agentes abordam alguns indivíduos, conversam, mas logo se retiram sem efetuar prisões.

Após a saída da viatura, o tráfico recomeça. Um homem, com cordão dourado e camiseta de marca, é visto guardando notas maiores na carteira e saindo em um carro de luxo. O comércio é mais intenso debaixo do viaduto, mas a venda e o consumo de drogas ocorrem em vários pontos da região central, muitas vezes sem preocupação com a discrição.

Um morador da área comentou: ‘A polícia às vezes passa e não faz nada. Só toca a sirene, eles escutam e saem andando, e daqui a pouco estão de volta’. Na Alameda Barão de Piracicaba, até objetos usados têm valor de troca.

No Parque Dom Pedro II, a Escola Estadual São Paulo apresenta uma parte abandonada, e debaixo de outro viaduto, um número surpreendente de pessoas usa drogas em conjunto, formando uma espécie de mini Cracolândia. Nesta semana, a GCM realizou uma blitz no local, mas ninguém foi preso; foram recolhidas pelo menos seis facas, que, segundo os agentes, seriam usadas em assaltos.

O morador Noé, de 81 anos, que vive na região há 40 anos, relatou que, após ser roubado diversas vezes, começou a andar com um ‘celular do ladrão’. Ele afirmou: ‘A Cracolândia que tinha aqui no Centro espalhou pelo Centro todo. Não é que acabou, simplesmente espalhou’.

Até maio do ano passado, a aglomeração de dependentes químicos se concentrava na Rua dos Protestantes, perto da Estação da Luz. Após intervenções do poder público, os usuários que lotavam a área desapareceram. Um teatro que funcionava no local foi fechado e a área está cercada por tapumes, com a promessa de ser utilizada para moradias populares e uma área de lazer.

A Secretaria da Segurança Pública informou que os pontos de venda de drogas são dinâmicos, com a polícia fechando um e os traficantes abrindo outro rapidamente. No entanto, o governo afirma que a polícia monitora essas mudanças e já possui um mapeamento para agir.

A Prefeitura de São Paulo declarou que mantém um trabalho contínuo de atendimento e acolhimento a pessoas em situação de rua e vulnerabilidade, com equipes da assistência social atuando dia e noite nas áreas do Parque Dom Pedro II e Campos Elíseos. Também afirmou que a Guarda Civil Metropolitana realiza policiamento ostensivo 24 horas por dia na capital.

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