O pivô do escândalo do Banco Master, Daniel Vorcaro, já se encontra na Penitenciária Federal de Brasília, um presídio de segurança máxima. A transferência de São Paulo foi autorizada pelo ministro do Supremo André Mendonça e mobilizou agentes da Polícia Penal Federal.
O comboio, que saiu no fim da manhã, levou Vorcaro da Penitenciária II de Potim para o aeroporto de São José dos Campos. O banqueiro estava algemado e vestia o uniforme da penitenciária: calça bege e camisa branca. Policiais penais federais o conduziram até o avião da PF já na pista do aeroporto.
De São José dos Campos, Vorcaro seguiu para Brasília, onde desembarcou no hangar da Polícia Federal. Após exames no Instituto Médico Legal da Polícia Civil, foi levado para a penitenciária, localizada a 20 km do centro da capital. No presídio, usará um uniforme diferente: calça e blusa azuis.
Inicialmente, ele ficará em uma cela de inclusão de 9 m² por pelo menos 20 dias. Em seguida, será transferido para uma cela de aproximadamente 6 m², equipada com um colchão sobre cama de concreto, sanitário, pia, chuveiro, mesa e assento. Não há tomadas elétricas. Ele ficará sozinho na cela, com direito a duas horas de banho de sol e seis refeições diárias.
A transferência foi solicitada pela Polícia Federal, que alegou riscos à segurança pública, considerando a capacidade de Vorcaro de mobilizar redes de influência. A PF argumentou que a penitenciária em Brasília oferece melhores condições para monitoramento da custódia, dada sua proximidade com órgãos responsáveis pela investigação e supervisão judicial das medidas cautelares adotadas pelo STF.
Daniel Vorcaro foi preso pela primeira vez em 18 de novembro de 2025, ao tentar embarcar do aeroporto de Guarulhos para a Europa. Ele ficou detido por 11 dias e foi liberado com tornozeleira eletrônica. Em 4 de março de 2026, foi novamente preso e levado ao Centro de Detenção de Guarulhos, onde teve o cabelo cortado e a barba raspada.
No dia seguinte, foi transferido para a Penitenciária de Potim, onde cumpriria um isolamento de dez dias. A Segunda Turma do STF analisará a decisão de André Mendonça sobre a prisão preventiva de Vorcaro e outros alvos da operação, incluindo seu cunhado, Fabiano Zettel, que permanece na Penitenciária de Potim.
Na sexta-feira (6), o ministro André Mendonça determinou a abertura de um inquérito pela Polícia Federal para investigar o vazamento de material obtido com a quebra de sigilo de Vorcaro, após pedido da defesa. O ministro ressaltou a responsabilidade de quem recebeu informações sigilosas e defendeu o papel da imprensa.
A Polícia Federal afirmou que nenhum relatório ou informação apresentada na Operação Compliance Zero continha dados irrelevantes para as investigações. A defesa de Vorcaro expressou indignação com a divulgação de fotos dele na unidade prisional.
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, enviou uma petição ao STF em resposta às críticas de Mendonça, destacando a insuficiência do tempo para avaliar as medidas e mencionando o impacto de certas decisões cautelares.

