O Banco de Brasília (BRB) enfrenta uma crise financeira desde a revelação do escândalo do Banco Master, no final de 2025. O futuro da instituição se tornou incerto após o BRB e o governo do Distrito Federal tentarem adquirir a maior parte do Banco Master, injetando R$ 16,7 bilhões, dos quais R$ 12,2 bilhões estão sob suspeita de irregularidades.
O Banco Central barrou a compra do Master e determinou sua liquidação extrajudicial, congelando os ativos que seriam transferidos ao BRB. Isso fragilizou o patrimônio do banco, colocando-o em risco de descumprir as normas prudenciais do sistema bancário.
O BRB e o governo do DF estão buscando recuperar o dinheiro investido e encontrar novos aportes. O banco apresentou um plano de capital ao Banco Central, que estima a necessidade de pelo menos R$ 5 bilhões para atender às exigências. Uma proposta a ser discutida na assembleia de acionistas no dia 18 envolve a emissão de até 1,67 bilhão de ações ordinárias, com expectativa de aumento de capital entre R$ 529 milhões e R$ 8,86 bilhões.
O governo do DF propôs usar imóveis públicos como garantia para essa operação, avaliando que esses ativos somam cerca de R$ 6,6 bilhões. Contudo, um estudo da Câmara do DF aponta para a ‘dilapidação do patrimônio público’ em um projeto de socorro ao BRB.
A Fitch Ratings e a Moody’s rebaixaram a nota de crédito do BRB para “CCC”, sinalizando alto risco de inadimplência e fragilidades de governança. O governo do DF não pode usar a União como garantidora de um empréstimo devido à baixa nota em Capacidade de Pagamento (Capag).
O BRB também enfrenta uma crise de liquidez, com R$ 12 bilhões em créditos problemáticos herdados do Banco Master, dificultando a capacidade de honrar compromissos diários. Especialistas consideram esse risco pequeno, pois o governo do DF pode continuar a socorrer o banco.
Apesar das afirmações de solidez do BRB, o mercado permanece desconfiado. A Fitch retirou a expectativa automática de socorro do GDF, indicando que o apoio político e financeiro não é mais garantido. Além disso, há incertezas sobre as perdas relacionadas a investigações e processos judiciais.
O BRB precisa apresentar um plano de enfrentamento da crise até o fim do mês. Entre as opções estão o uso de imóveis públicos, a venda de ativos e a recuperação de créditos. O governador Ibaneis Rocha deve sancionar um projeto que permite o uso de imóveis para salvar o banco, enquanto o BRB busca vender carteiras de crédito e participar em subsidiárias.
Outra possibilidade é a federalização do banco, que transferiria seu controle para a União, caso o GDF não tenha espaço fiscal para socorrê-lo. O presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, negou a possibilidade de liquidação ou federalização, afirmando que o banco sairá fortalecido.

