A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou resoluções que regulamentam o cultivo de cannabis medicinal no Brasil, com início de vigência em 4 de agosto de 2026. As novas regras incluem um ‘sandbox experimental’, um período de cinco anos para testar atividades relacionadas à cannabis fora do modelo industrial tradicional.
Essas mudanças visam impulsionar pesquisas científicas e oferecem novas esperanças para pacientes no Distrito Federal que utilizam produtos à base da planta para tratar transtornos mentais e síndromes raras.
A autônoma Marta Francisca de Lima, de 57 anos, começou a usar óleo de cannabis em 2022 para tratar seu filho, Rafael Muniz, de 40 anos, que possui Transtorno do Espectro Autista (TEA), Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC), depressão e ansiedade. ‘Foram muitos anos de sofrimento. A gente sabia que pessoas em outros países usavam. Queríamos ter acesso e não sabíamos como nem onde’, relata Marta.
A mudança ocorreu quando ela assistiu a uma reportagem sobre um rapaz que ganhou na Justiça o direito de cultivar cannabis para tratamento médico. A partir daí, conheceu a Associação Brasileira do Pito do Pango (Abrapango), que oferece suporte jurídico e técnico a pacientes e produz medicamentos à base de cannabis. ‘A qualidade de vida que ganhamos não tem preço’, finaliza Marta.
A Tamara de Matos, de 32 anos, também encontrou suporte na Abrapango para o tratamento de seu filho, Ravi Oliveira, de 6 anos, diagnosticado com Transtorno Opositivo-Desafiador (TOD) e TDAH. ‘Nossa qualidade de vida melhorou muito. Ele era muito agitado e agressivo. Agora, está indo muito bem na escola graças ao tratamento’, conta Tamara.
Ravi utiliza óleo de CBD (canabidiol) e CBN (canabinol). Tamara destaca que o canabinol ajuda no sono e o canabidiol melhora a concentração durante o dia. Com a nova regulamentação, ela espera que associações e universidades possam cultivar e estudar a cannabis sem interrupções.
A Érica Bogéa Carvalho, mãe de Tayná Carvalho, de 27 anos, que sofre da Síndrome de West, também buscou alternativas ao tratamento convencional. Após anos de uso de medicamentos alopáticos, Érica começou a utilizar óleo de cannabis. ‘Com a produção caseira, mais concentrada, minha filha passou a utilizar 15 gotas por dia’, explica Érica.
Após seis anos de tratamento, a família comemora os resultados, como a redução de sangramentos e avanços na fala de Tayná. Érica acredita que a ampliação do cultivo pode fortalecer a produção nacional e reduzir a dependência de importação. ‘Estamos falando de saúde, qualidade de vida e dignidade para as famílias’, conclui.

