Estudantes criam animações para discutir escolarização feminina

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

Enquanto 122 milhões de meninas permanecem fora das salas de aula em todo o mundo, segundo dados da ONU, uma iniciativa brasileira utiliza tecnologia e criatividade para destacar essa questão. O projeto DCPC (De Criança Para Criança) tem levado animações ao YouTube que discutem o acesso feminino à educação e a superação de desafios sob a perspectiva dos próprios estudantes.

A metodologia do projeto prioriza o protagonismo infantil. Por meio de rodas de conversa, os alunos criam histórias coletivas, elaboram desenhos e gravam as locuções das obras. Ao unir linguagem e tecnologia, o DCPC ensina sobre direitos fundamentais e integra o processo de aprendizagem à construção de uma consciência social desde cedo.

Entre os conteúdos produzidos está o audiovisual “Malala: a menina corajosa que ganhou o Nobel da Paz”, de 2025, realizado por crianças de 8 a 9 anos. O vídeo apresenta a trajetória de Malala Yousafzai, reconhecida mundialmente pela defesa do acesso à educação. Utilizando uma linguagem lúdica, a animação aborda temas como liberdade de escolha, representatividade feminina e direitos fundamentais desde a infância.

Outra animação, “Zuri, a menina corajosa”, também de 2025, foi criada por estudantes de 10 a 11 anos. A história narra as dificuldades de uma garota nascida em uma vila montanhosa do Afeganistão, que enfrenta a proibição do regime talibã para frequentar a escola. A personagem descreve as alternativas encontradas para continuar aprendendo, reforçando a educação como um direito inalienável.

Vitor Azambuja, especialista em educação e CEO do DCPC, destaca que o projeto reúne crianças de diferentes realidades, transformando vivências e sentimentos em narrativas audiovisuais. Ele afirma que os vídeos expressam de forma autêntica o olhar infantil sobre o mundo. “São produções criadas por crianças e que precisam ser estimuladas para circular no cotidiano da família, da comunidade e da sociedade. A construção de uma sociedade mais justa começa com uma educação sólida desde a infância”, afirma.

Vitor também ressalta a importância de garantir ferramentas para que as crianças sejam protagonistas de sua história e de transformações sociais. “Um exemplo disso é a animação sobre Malala, que se tornou um símbolo de resistência feminina em todo o mundo. É fundamental que as crianças estejam atentas a esses significados”, complementa.

Gilberto Barroso, também CEO do DCPC, enfatiza que a inclusão de personagens femininas nos materiais pedagógicos amplia horizontes. “Projetos como o De Criança Para Criança mostram que temas complexos, como o direito das meninas à educação e a coragem diante da adversidade, podem ser abordados desde a infância, com uma linguagem acessível e a perspectiva das próprias crianças”, finaliza.

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