Mercado projeta cenários econômicos em meio a conflito no Oriente Médio

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

A guerra no Oriente Médio, que já dura uma semana, gera incertezas no mercado financeiro. O Índice de Medo e Ganância da CNN Internacional registrou 27 pontos no fechamento do mercado na sexta-feira (6), indicando aversão ao risco por parte dos investidores.

Analistas da Warren Investimentos destacam que “o conflito no Oriente Médio e a subida dos preços do petróleo impõem novos riscos para o cenário ao longo do ano, sem contar as incertezas no setor de energia”. O relatório do Daycoval também menciona que a intervenção dos EUA e Israel no Irã aumenta as preocupações com as tensões geopolíticas.

Os especialistas afirmam que o impacto nos mercados dependerá da evolução do conflito. A economista-chefe da Lifetime Gestora de Recursos, Marcela Kawauti, questiona: “quando o ruído vira crise de fundamentos?” Ela explica que choques geopolíticos curtos tendem a gerar volatilidade, mas uma escalada prolongada pode levar a disrupções nas cadeias de insumos e inflação ao consumidor.

Os analistas da Warren Investimentos ressaltam a importância de distinguir entre a aversão ao risco inicial e mudanças estruturais nos cenários econômicos. A XP, em seu relatório, aponta que o conflito pode alterar o cenário econômico brasileiro, especialmente devido à relevância dos preços do petróleo.

A commodity acumulou alta de 27,2% na primeira semana de conflito, cotada a US$ 92,69. A XP projeta que, com o barril do petróleo Brent a US$ 70, a inflação no Brasil pode subir de 3,8% para 4,2%. Se o preço atingir US$ 80, a inflação pode chegar a 4,5%.

O mercado também observa com cautela as decisões de juros. A Warren indica que o Banco Central do Brasil deve cortar a taxa Selic em 0,5 ponto percentual na próxima reunião. O UBS destaca que a interrupção no fornecimento de petróleo está aumentando, e a capacidade de compensação pela OPEP+ é limitada.

O Goldman Sachs elevou suas previsões para o preço do petróleo Brent no segundo trimestre de 2026 para US$ 76, considerando a redução nas exportações pelo Estreito de Ormuz. A Moody’s acredita que, no curto prazo, o petróleo armazenado fora do Golfo pode ajudar a evitar perdas significativas nas exportações.

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