Piloto José Ribamar de Sá é homenageado em último voo após 50 anos de carreira

Amanda Rocha
Tempo: 4 min.

O piloto José Ribamar de Sá, de 73 anos, foi homenageado ao pousar no Aeroporto de Natal nesta semana, comandando seu último voo comercial após 50 anos de carreira na aviação.

Entre os passageiros estavam seus três filhos, dois deles também pilotos, e sua esposa. A escolha de Natal para marcar esse momento foi significativa, pois foi na capital potiguar que ele iniciou sua trajetória na aviação e onde decidiu morar.

“”Eu pedi à empresa para fazer o meu último voo aqui para Natal. Então, foi aqui onde eu comecei e aqui onde eu terminei”, relatou o comandante.”

José Ribamar compartilhou que a emoção começou antes mesmo de entrar no avião. Durante o briefing com a tripulação, ele anunciou que aquele seria seu último voo.

“”Falei: ‘Olha, gente, hoje [terça-feira passada] é meu último voo. Eu estou me despedindo de vocês, me despedindo aqui da Gol Linhas Aéreas’. A comissária começou a chorar. Aí a gente não segura a emoção”, contou.”

Ao pousar em Natal, ele teve um momento especial com a família, que também fez o trajeto de Guarulhos (SP) até Natal com ele. “Para mim, foi uma satisfação. Encerrar a carreira transportando também a minha família, no avião que eu estava pilotando, digamos assim, pela última vez”, completou.

O piloto recebeu homenagens da administração do aeroporto, do Corpo de Bombeiros e da torre de controle. “Realmente foi fantástico. Na saída do avião, então, o que tinha de gente nos aguardando, realmente foi fantástico, foi tudo maravilhoso”, disse.

“”Encerrei com chave de ouro a minha carreira na aviação comercial”, relatou.”

José Ribamar estima que fez cerca de 30 mil horas de voo na aviação comercial. Durante 30 anos, ele realizou voos internacionais, com os mais longos durando cerca de 12 horas. Ele afirmou que não enfrentou grandes problemas durante sua carreira, destacando que a aviação é segura.

Ele lembrou de um incidente inusitado no início da carreira, quando, durante um voo solo, o motor do avião parou. “Eu tive que vir para o chão com o avião com o motor parado”, lembrou.

“”Escolhi uma plantação rasteira de cana-de-açúcar e vim para o solo. E, graças a Deus, estou aqui hoje para contar a história”, relatou.”

José Ribamar começou sua carreira na Força Aérea Brasileira como piloto militar em Natal, depois trabalhou na aviação civil, incluindo a Transbrasil, e teve experiências em empresas da China e da Índia. Ele retornou ao Brasil para trabalhar na Gol, onde permaneceu por quase 20 anos.

Ainda que tenha encerrado sua carreira na aviação comercial, ele continua a dar aulas em uma escola de aviação em Natal, que forma pilotos e comissários, além de oferecer voos panorâmicos pelo litoral do Rio Grande do Norte. “Eu pendurei a chuteira, mas vou continuar jogando descalço”, brincou.

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