Brasil lidera em biotecnologia agrícola, mas enfrenta desafios regulatórios

Amanda Rocha
Tempo: 4 min.

A bioeconomia brasileira entra em 2026 com uma agenda estratégica centrada em regulação, inovação e atração de investimentos. A agropecuária é fundamental nesse processo, mas enfrenta desafios para acelerar os investimentos públicos e privados, conforme afirma Deia Vilela, nova presidente da Associação Brasileira de Bioinovação (ABBI).

Vilela destaca que a prioridade do setor é aumentar a influência técnica junto ao governo para acelerar aprovações e consolidar o Brasil como um polo de produção de biotecnologia. Ela menciona o potencial dos biocombustíveis, especialmente com o avanço do etanol de milho e a diversificação de matérias-primas como soja e sorgo.

“O Brasil é exponencial em biocombustíveis. Quando falamos de etanol de cana ou de cereal, há uma enorme aplicação de biotecnologia para aumentar eficiência”, afirma Vilela. Ela explica que o uso de enzimas e leveduras específicas permite maior rendimento industrial e melhor aproveitamento de coprodutos, além de ganhos energéticos.

Entre os principais pontos da agenda da ABBI está a defesa de maior agilidade regulatória. Vilela acredita que o Brasil possui uma estrutura técnica robusta, mas precisa acelerar processos para não comprometer a competitividade. “Acreditamos no papel regulador do governo, inclusive do ponto de vista do consumidor. A questão é como tornar esse processo mais ágil, sem que ele seja um entrave”, diz.

Ela ressalta que produtos de biotecnologia passam por rigorosos estudos toxicológicos e exigem dossiês complexos. O desafio é garantir que a velocidade da inovação internacional seja acompanhada pelo mercado brasileiro, evitando prejuízos ao ‘tempo dos investimentos’. A proposta da associação inclui mecanismos de “fast tracking” para acelerar aprovações, especialmente em áreas estratégicas como bioenergia.

No agronegócio, Vilela destaca o avanço da industrialização no interior do país como um exemplo de economia circular. Usinas de etanol de milho que aproveitam integralmente a matéria-prima são citadas como modelo de eficiência logística e produtiva. Ela também vê espaço crescente para bioproteção agrícola e biomateriais derivados de açúcar.

“O futuro é bio. Há muito conhecimento sendo desenvolvido no Brasil e na região. A bioeconomia é presente e futuro”, resume. Embora o Brasil já utilize produtos de biotecnologia, ainda há espaço para ampliar a produção local, com fermentação controlada e redução de custos. “O Brasil já é polo de consumo. Pode ser também polo de produção”, frisa.

A ABBI reúne 24 empresas e participa da Comissão Nacional da Bioeconomia, atuando na implementação do Plano Nacional de Desenvolvimento da Bioeconomia. Vilela afirma que a associação busca influenciar políticas públicas que favoreçam o desenvolvimento do setor e, consequentemente, do Brasil. Atualmente, as 24 empresas associadas geram cerca de 200 mil empregos ligados à biotecnologia, abrangendo produção industrial, pesquisa e áreas comerciais.

Vilela acredita que o potencial de expansão é significativo, desde que o ambiente institucional favoreça investimentos. “Se ampliarmos o tamanho do mercado, podemos atrair mais empresas internacionais para produzir no Brasil, não apenas vender.” Ela destaca que o país possui escala produtiva, um mercado consumidor relevante e uma base agrícola estratégica, fatores que sustentam a ideia de transformar o Brasil em um hub regional de biotecnologia para a América Latina.

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