O Cais do Valongo, local de chegada de mais de 1 milhão de africanos escravizados no Brasil, completou 15 anos de redescoberta no dia 26 de fevereiro. O achado histórico revelou cerca de 1,5 milhão de objetos arqueológicos que estão sendo analisados por arqueólogos.
Os itens, que ajudam a contar a história da cidade, estão armazenados no Laboratório Aberto de Arqueologia Urbana (LAAU), localizado no Armazém Docas André Rebouças, em frente ao Valongo. A Unesco exigiu a criação de um centro de interpretação dos achados quando o local foi reconhecido como patrimônio da humanidade.
Os objetos encontrados variam de âncoras e canhões a sapatos, garrafas, utensílios, amuletos, brinquedos e ossos de animais. Aproximadamente 500 mil itens têm ligação direta com o Cais do Valongo e incluem elementos da religiosidade e cultura dos africanos trazidos ao Brasil.
O acervo está organizado em 12 contêineres com temperatura controlada. A equipe do LAAU, composta por seis profissionais, já confirmou o valor arqueológico de todos os itens. O próximo desafio é aprofundar a pesquisa em 60% dos objetos, cruzando informações para entender a história de cada um.
Um exemplo é uma garrafa inglesa de graxa, encontrada a 2 a 3 metros de profundidade, cuja marca foi identificada como Warren, vendida em 1826. Pesquisadores também analisam uma caixa com referências à Escócia e sapatos do século XIX, que eram posses de pessoas abastadas.
O gerente de arqueologia do Instituto Rio Patrimônio da Humanidade, Helder Viana, destacou a importância da colaboração de outras instituições na pesquisa. Pesquisadores interessados podem agendar visitas ao LAAU para estudar os objetos.
O prédio onde os itens são analisados foi projetado pelo engenheiro André Rebouças e inaugurado em 1871. Recentemente, o Governo Federal anunciou um investimento de R$ 86,2 milhões para restaurar o edifício, que se tornará um centro cultural voltado à memória afro-brasileira.
A Prefeitura já investiu mais de R$ 20 milhões desde 2014 na conservação e pesquisa do acervo do Valongo, que fica na antiga Pequena África. O projeto Porto Maravilha, em andamento, visa reurbanizar a região e atrair novos moradores.

