O Brasil vive o auge da colheita da soja, reafirmando sua posição como um dos maiores exportadores do mundo. Cerca de dois terços da produção brasileira é destinada ao mercado externo. O estado de Mato Grosso é responsável por quase 30% da safra nacional.
A história dessa liderança começou há mais de 50 anos, impulsionada por incentivos governamentais que atraíram agricultores do Sul para o Centro-Oeste. A produtividade, que era de 35 sacas por hectare, hoje chega a 90 sacas por hectare, graças a avanços em pesquisa e tecnologia.
No entanto, a infraestrutura de transporte não acompanhou esse crescimento. Em Mato Grosso, a capacidade de armazenamento é limitada, com uma média de estocagem de apenas 40% da produção. Isso leva grandes empresas a investirem em silos próprios para garantir a eficiência logística.
A soja brasileira é fundamental na alimentação, especialmente na Ásia, sendo utilizada para óleo, farelo para nutrição animal e em aplicações industriais. A logística é, portanto, um ponto crucial para o escoamento desse produto.
Nos últimos anos, a geografia do escoamento da soja mudou. Em vez de seguir para os portos do Sul e Sudeste, a safra passou a ser direcionada ao Arco Norte, um conjunto de portos e rotas acima do paralelo 16. Em 2009, os portos do Arco Norte escoavam 16% da produção nacional; em 2024, esse número subiu para 34%. O uso dessas rotas pode reduzir o valor do frete em até 15%.
Entre os principais portos do Arco Norte estão Mirituba, Santarém e Barcarena, no Pará, além do Porto de Itaqui, no Maranhão. Este último tornou-se um símbolo da expansão, com exportações de soja e milho saltando de 11 milhões para 20 milhões de toneladas entre 2020 e 2024.
O crescimento do Porto de Itaqui atraiu produtores do Sul que venderam suas terras para investir em áreas maiores no Mato Grosso e na região do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia). Apesar das melhorias, o caminhoneiro Walter relata que o sistema de agendamento nos portos trouxe alívio para as filas, mas o “nó” logístico persiste entre a fazenda e o terminal portuário, onde 66% da carga no país ainda depende do transporte rodoviário, enfrentando estradas precárias e desafios climáticos.

