Trump sugere estratégia no Irã semelhante à da Venezuela após prisão de Maduro

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

Donald Trump sugeriu que a situação no Irã poderia se assemelhar ao que ocorreu na Venezuela após a prisão do ex-presidente Nicolás Maduro, em 3 de janeiro. A estratégia proposta envolve a eliminação do líder e a construção de um acordo com figuras do governo iraniano para estabelecer uma relação política e comercial favorável aos Estados Unidos.

No entanto, a situação no Irã é considerada mais complexa. Após a eliminação do aiatolá Ali Khamenei e de outras figuras de poder, a guerra no Oriente Médio se intensificou, com ataques aéreos que resultaram em uma nova guerra regional. Trump insinuou que poderia surgir um novo governo no Irã disposto a cooperar com os EUA, afirmando: ‘Tenho que estar envolvido em sua nomeação, como com Delcy na Venezuela’.

O analista iraniano-americano Sina Toosi destacou que o Irã possui um Exército mais poderoso e uma população de cerca de 92 milhões, em comparação com os 28 milhões da Venezuela. Ele afirmou que a estratégia aplicada na Venezuela não é realista para o Irã, onde a estrutura política é mais complexa e resistente.

Toosi explicou que, enquanto na Venezuela os EUA conseguiram um acordo com o restante do regime após a eliminação de Maduro, no Irã a situação é diferente, pois o regime continua em funcionamento e o Exército iraniano está em posição de contra-atacar. O gasto militar do Irã é significativamente maior, com um arsenal de mísseis balísticos avançados.

Além disso, a arquitetura política do Irã, que combina instituições religiosas e órgãos eleitos, foi projetada para garantir a continuidade do regime, mesmo com a morte de líderes. Toosi ressaltou que mudar essa estrutura exigiria um esforço militar significativo e não se limitava a ataques aéreos.

A diversidade étnica e religiosa da sociedade iraniana também representa um desafio, pois diferentes grupos podem tentar aproveitar a instabilidade para tomar o controle em certas regiões. O Irã, por sua vez, é um ator central no Oriente Médio, com influência que vai além de suas fronteiras, o que torna a mudança de regime ainda mais difícil.

Toosi concluiu que, se o conflito persistir, o Irã pode enfrentar um cenário de guerra civil ou colapso, o que representa riscos significativos para a região e para a economia global, especialmente devido à sua posição estratégica no comércio de petróleo.

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