Haddad enfrenta Tarcísio em São Paulo com riscos para futuro político

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

O ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad, será o candidato do PT ao governo de São Paulo nas eleições de 2026, enfrentando Tarcísio Gomes de Freitas. A decisão foi tomada em um contexto onde São Paulo, com 22% dos votantes brasileiros, é crucial para a sigla.

Historicamente, o PT nunca governou o estado, e cada voto paulista é vital. Em 2018, Jair Bolsonaro obteve 8 milhões de votos a mais que Haddad, que foi derrotado na corrida presidencial. Em 2022, a diferença entre Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva caiu para 2,7 milhões, evidenciando a importância do desempenho local.

Haddad, que chegou ao segundo turno em 2022, conquistou 45% dos votos, superando o desempenho de Luiz Marinho em 2018. Essa performance levou o PT a decidir repetir a estratégia com Haddad contra Tarcísio.

No entanto, a candidatura de Haddad apresenta riscos significativos. Tarcísio, com 67% de aprovação, lidera as pesquisas de intenção de voto, podendo vencer no primeiro turno com 51% contra 27,7% de Haddad. Além disso, Tarcísio agora comanda a maior máquina estadual do país e firmou aliança com Flávio Bolsonaro, aumentando seu apoio entre os eleitores bolsonaristas.

O PT enfrenta um histórico desafiador em São Paulo, tendo disputado 11 eleições ao governo desde 1980, sem nunca ter eleito um governador. O cientista político Murilo Medeiros afirma que, para Lula, vencer em 2026 passa por São Paulo, onde é crucial evitar uma derrota significativa.

Haddad, hesitante em aceitar a candidatura, confirmou que deixará a Fazenda em 3 de abril, mas expressou desejo de ser coordenador da campanha de Lula. Recentemente, a pressão para que ele aceite a candidatura aumentou, especialmente após encontros com Lula e o vice-presidente Geraldo Alckmin.

Em entrevista, Haddad mencionou ter recebido informações sobre insatisfações na gestão de Tarcísio, mas expressou dúvidas sobre a possibilidade de explorar essas vulnerabilidades devido à proteção em torno do governador. Ele também destacou a importância de discutir projetos e a falta de um governo progressista em São Paulo.

As articulações para a chapa ao Senado incluem nomes como Simone Tebet e Marina Silva, mas há preocupações sobre a aceitação de uma composição progressista em um estado como São Paulo. A situação política se complica ainda mais com a definição das candidaturas de Tarcísio e Flávio Bolsonaro, que estão em ascensão.

Haddad, que já enfrentou derrotas em sua trajetória política, pode acumular uma nova derrota em 2026, o que seria um golpe em suas aspirações futuras. A estratégia arriscada de Haddad é respaldada por Lula, que vê a situação como crucial para o futuro político de ambos.

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