Um grupo de dança em Itapetininga, São Paulo, tem proporcionado saúde, autoestima e apoio a mulheres com mais de 60 anos. A atividade é exclusiva para esse público e, em comemoração ao Dia Internacional da Mulher, celebrado neste domingo (8), foram entrevistadas duas integrantes e a professora responsável pelo grupo.
Atualmente, dez mulheres participam da iniciativa, que já conquistou medalha de ouro nos Jogos da Melhor Idade. A professora de educação física, Vivian Cibele Monti, de 48 anos, explica que o grupo surgiu da necessidade de representar Itapetininga na competição. Desde que assumiu o grupo em 2017, Vivian tem trabalhado para a participação no ano seguinte.
“Nossas participantes, obrigatoriamente, precisam ter mais de 60 anos, pois é o regulamento dos jogos. No nosso caso específico, dentro da categoria que representamos, há a necessidade de no mínimo três integrantes com mais de 70 anos. A mais velha deve estar com 73 anos”, detalha Vivian.
Além dos benefícios para a saúde, Vivian destaca que a convivência fortalece laços entre as integrantes, que se tornam amigas e formam uma rede de apoio na terceira idade. “Admiro muito a história de vida de cada uma. Elas aprendem comigo sobre o corpo, o movimento e eu acabo aprendendo com elas sobre a vida”, afirma.
Outro momento especial ocorre durante a preparação para as apresentações, com a escolha de figurinos, maquiagem e penteados, proporcionando descontração e valorização pessoal. “Foi incrível quando uma das nossas integrantes se viu maquiada pela primeira vez e se emocionou. Mandou a foto para o filho, que a elogiou e ela chorou. E eu? Chorei também. Isso não tem preço”, relembra a professora.
Desde que Vivian assumiu a equipe, os resultados nas competições evoluíram. No ano passado, as dançarinas conquistaram o primeiro lugar nos Jogos da Melhor Idade, em Cerquilho (SP), com uma apresentação inspirada no tema “Don Juan”, no estilo flamenco, garantindo a vaga na final estadual em São João da Boa Vista (SP), onde o grupo ficou em quarto lugar.
A aposentada Sara de Oliveira Miranda, de 66 anos, integra o grupo há dois anos e se apaixonou pela dança. “Eu amo, gostei demais. Me sinto muito bem. Para a minha cabeça, foi ótimo. Eu nunca tinha participado. Quando a gente fica aposentada, a gente se sente muito inútil. Deixa eu cuidar de mim”, ressalta.
Sara participou dos Jogos da Melhor Idade e conquistou a medalha de ouro. Para ela, os resultados na saúde corporal e mental são ainda mais motivadores do que as medalhas. “Você se olha e pensa: ‘Que delícia é estar bem consigo mesma’. Faz muito bem. Eu me acho superpoderosa, é tão gostoso, faz super bem para a gente”, relata.
A aposentada Nuncia Onesta Mastromauro Maschietto, de 70 anos, também faz parte do grupo e destaca a importância da dança em sua vida. “Eu adoro, eu amo. Dançar, para mim, é tudo, é uma delícia.” Nuncia fez amizades com as outras participantes e com a professora, ressaltando que a dança ajuda a mudar o humor e a criar laços.
Vivian explica que as aulas são voltadas ao desenvolvimento das capacidades físicas necessárias para a dança, respeitando as limitações de cada participante. “Isso acaba proporcionando uma melhor qualidade de vida para elas, tanto física quanto mental e emocionalmente”, conclui.

