O Brasil busca a parceria de países europeus para a exploração de minerais críticos e terras raras. A informação foi divulgada pelo embaixador brasileiro na Alemanha, Rodrigo Baena Soares, durante entrevista coletiva em Hannover, no norte da Alemanha, no evento de apresentação da Hannover Messe, a maior feira de tecnologia industrial do mundo, que ocorrerá de 20 a 24 de abril.
Baena destacou que, em um cenário de ligações mais estreitas entre o Brasil e a Europa, como no Acordo de Livre Comércio entre o Mercosul e a União Europeia, os europeus são considerados “parceiros importantíssimos”. Ele enfatizou a necessidade de transferência de tecnologia, para que o Brasil tenha protagonismo na cadeia de produção. “É muito importante que não tenhamos um esquema tradicional de apenas exportar minerais brutos”, afirmou.
O embaixador reconheceu que o Brasil possui grandes reservas de elementos estratégicos, mas ainda não é um líder na extração e refino. “Temos reservas importantes, sobretudo de terras raras, mas também de outros minerais, e podemos nos beneficiar da tecnologia europeia e, sobretudo, da alemã”, disse.
Os minerais críticos são essenciais para setores como transição energética, tecnologia e defesa. O Brasil é o maior detentor global de reservas de nióbio (94%), o segundo maior de grafita (26%) e possui a terceira maior reserva mundial de níquel (12%). O país concentra 23% das reservas mundiais de terras raras, que são utilizadas em produtos de alta tecnologia e energia limpa.
Baena também comentou sobre a Hannover Messe, que terá o Brasil como país parceiro, permitindo que cerca de 140 expositores brasileiros apresentem tecnologias e inovações industriais. “Vamos fazer um evento paralelo sobre minerais críticos, mostrar as potencialidades do Brasil também nessa área”, antecipou.
O embaixador ressaltou a importância da feira no contexto do acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia, que caminha para implementação. Ele acredita que a participação na Hannover Messe e a busca por parcerias com europeus é um sinal de que o multilateralismo ainda é relevante. O Senado brasileiro aprovou os termos do acordo que cria a zona de livre comércio com a Europa, que conta com mais de 720 milhões de habitantes.
O Mercosul se comprometeu a zerar tarifas sobre 91% dos bens europeus que chegam à América do Sul em até 15 anos. A União Europeia, por sua vez, eliminará tarifas sobre 95% dos bens comprados do Mercosul em até 12 anos. A Alemanha é uma das defensoras do acordo, enquanto alguns países europeus ainda apresentam resistências.
Baena Soares destacou que a Hannover Messe é uma oportunidade de reforçar laços econômicos e políticos com a Europa, especialmente com a Alemanha. Ele mencionou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, se encontrarão durante o evento. A corrente de comércio entre Brasil e Alemanha atingiu US$ 20,9 bilhões em 2025, com o Brasil apresentando um déficit na balança comercial.

