Menopausa: mudanças no corpo e na mente durante o climatério

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

A menopausa é frequentemente associada aos fogachos, mas o climatério envolve diversas mudanças no corpo e na mente da mulher. Essa fase representa a transição da vida reprodutiva para a não reprodutiva, marcada pela redução dos níveis de estrogênio.

De acordo com estimativas do IBGE, cerca de 30 milhões de mulheres no Brasil estão na faixa etária do climatério e menopausa, o que corresponde a 7,9% da população feminina. Além dos fogachos, especialistas destacam alterações musculoesqueléticas e impactos no cérebro.

““O estrogênio tem ação no cérebro, nos vasos sanguíneos, nos músculos, nas articulações, nos tendões e até na forma como o corpo regula inflamação e dor”, explica Patricia Magier, ginecologista.”

A redução do estrogênio afeta músculos, tendões e articulações, levando a condições como a capsulite adesiva, conhecida como “ombro congelado”, que é mais comum em mulheres entre 40 e 60 anos. Essa condição provoca dor e limitação de movimentos e tem sido associada à menopausa.

Além do ombro congelado, dores articulares, rigidez matinal e piora de quadros inflamatórios articulares podem surgir ou se intensificar durante o climatério. “A síndrome do ombro congelado é confundida com tendinite e bursite, dificultando o diagnóstico preciso”, afirma Igor Padovesi, ginecologista.

O climatério também pode provocar mudanças no cérebro, resultando em queixas como “névoa mental” e lapsos de memória. Essas alterações não indicam perda cognitiva permanente, mas uma adaptação do cérebro à nova realidade hormonal.

As oscilações hormonais impactam os neurotransmissores ligados ao bem-estar, levando a sintomas como irritabilidade, ansiedade e tristeza. A queda do estrogênio pode afetar o sono, agravando alterações de humor e sensação de cansaço constante.

““Oscilações de humor podem ocorrer por instabilidade hormonal e por privação de sono”, detalha Magier.”

Embora os fogachos noturnos sejam conhecidos, a menopausa pode afetar o sono de forma mais ampla, resultando em despertares frequentes e sono superficial. Essas alterações impactam a disposição e o desempenho cognitivo durante o dia.

A perda acelerada de massa óssea é um efeito silencioso do climatério, aumentando o risco de fraturas. Especialistas recomendam atenção à ingestão de cálcio, vitamina D e exercícios de força, já que cerca de 50% das mulheres com 50 anos ou mais podem sofrer fraturas osteoporóticas.

A terapia hormonal é um tratamento eficaz durante essa fase, ajudando a proteger contra a perda óssea e a aliviar sintomas como ondas de calor, distúrbios do sono e alterações de humor. “A reposição hormonal ajuda a melhorar a qualidade de vida das mulheres”, acrescenta Thalita Domenich, ginecologista.

Alguns hábitos simples podem amenizar os sintomas do climatério. Aumentar o consumo de frutas e verduras, manter a hidratação, praticar exercícios físicos em horários mais frescos e cuidar da saúde mental são algumas das recomendações.

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