Dourados (MS) registra 100 casos de chikungunya e uma morte em aldeia indígena

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

Dourados, Mato Grosso do Sul, está em alerta para uma possível epidemia de chikungunya na Reserva Indígena, onde residem cerca de 20 mil indígenas guarani-kaiowá. Até o momento, quase 100 casos da doença foram confirmados nas aldeias Jaguapiru e Bororó, que compõem a maior reserva do estado, com 3,5 mil hectares.

A prefeitura do município registrou 515 notificações de chikungunya. A situação se agravou após a morte de uma mulher de 69 anos, moradora da aldeia Jaguapiru. Ela tinha diabetes e hipertensão, e os primeiros sintomas da doença surgiram em 13 de fevereiro, com o óbito registrado no dia 26.

O aumento rápido de casos motivou uma reunião na última sexta-feira (6) entre a Secretaria Municipal de Saúde, representantes de instituições indígenas e médicos que atuam nas aldeias. O objetivo foi definir novas estratégias de controle da doença.

O Hospital da Missão Evangélica Caiuá, que atende em média 130 pessoas por dia, tem recebido a maioria dos pacientes com febre alta, dores intensas nas articulações, dor de cabeça e náuseas. A chikungunya, assim como a zika e a dengue, é transmitida pelo mosquito Aedes aegypti.

A falta de uma rede regular de abastecimento de água na região agrava a situação, pois muitas casas dependem de caminhões-pipa e utilizam reservatórios que podem se tornar criadouros do mosquito. A Prefeitura de Dourados informou que o controle de endemias nas aldeias é responsabilidade do governo federal, mas que realizou bloqueio químico com inseticida na área.

A Secretaria Especial de Saúde Indígena anunciou a instalação de armadilhas para o mosquito e está realizando um levantamento detalhado dos casos para elaborar um plano de ação. A Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso do Sul (SES) afirmou que as medidas estão sendo executadas de forma integrada entre o município de Dourados, o Distrito Sanitário Especial Indígena e o governo estadual.

Entre as ações acordadas estão a capacitação de agentes indígenas de saúde, mutirões de limpeza, bloqueios químicos e mecânicos nas aldeias Bororó e Jaguapirú, além do reforço na notificação e monitoramento de casos. Com o avanço da doença, uma força-tarefa foi montada pelo governo do Estado, pelas prefeituras de Dourados e Itaporã e pela Saúde Indígena. Um mutirão para eliminar possíveis criadouros do mosquito está programado para segunda-feira (9).

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