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Economia

Campinas registra 610 empregos para estrangeiros entre 2020 e 2025

Amanda Rocha
Última atualização: 7 de março de 2026 15:48
Amanda Rocha
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Tempo: 5 min.
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O mercado formal de trabalho em Campinas (SP) registrou 610 empregos positivos para trabalhadores estrangeiros entre 2020 e 2025. Os dados são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), que mostram um crescimento nas contratações, especialmente no setor de serviços.

O saldo de empregos para estrangeiros oscilou até 2021, mas tornou-se positivo a partir de 2022. Em 2025, os setores de serviços e vendas no comércio em lojas e mercados lideraram as contratações, com 1.259 admissões e 853 desligamentos, resultando em um saldo positivo de 406 vagas. O setor de produção de bens e serviços industriais também se destacou, com 385 contratações e 327 demissões, totalizando 58 vagas. O setor de serviços administrativos teve 260 admissões e 194 desligamentos, resultando em um saldo positivo de 66 empregos.

A série histórica do Caged revela oscilações no saldo de empregos até 2021, com crescimento a partir de 2022. Em 2020, foram registradas 667 admissões e 680 desligamentos, resultando em um saldo de -13 empregos. Em 2021, o saldo foi de -29 vagas, com 899 contratações e 928 demissões. A partir de 2022, o saldo passou a ser positivo, com 1.133 admissões e 914 desligamentos, totalizando 219 vagas. Em 2023, foram 1.334 contratações e 1.093 demissões, resultando em 241 empregos. Em 2024, o crescimento continuou, com 1.809 admissões e 1.458 desligamentos, totalizando 351 vagas.

O professor da Unicamp, José Dari, avaliou como positiva a abertura de vagas, mas alertou que a maioria das oportunidades está concentrada em empregos de baixa remuneração, especialmente nos setores de serviços e construção civil. Ele destacou que “muitas pessoas, mesmo brasileiras, buscam outras alternativas nesse contexto, alternativas de conseguir algum tipo de rendimento, dadas as características desses empregos que estão sendo oferecidos no mercado, especialmente no setor de serviços e da construção civil”.

José Dari também ressaltou que essas vagas representam esperança para quem busca melhores condições de vida, mas exigem políticas de acolhimento e inclusão. “São pessoas que estão ali na sua luta por conseguir encontrar um sol na sua vida, uma oportunidade na sua vida. Então, acho que a gente tem que ter uma postura de acolhimento, de respeito do ser humano, de respeito à sua vitória, de respeito da sua cultura e buscar incluir essas pessoas na nossa dinâmica”, finalizou.

Marisa Corrêa, gerente administrativa de uma empresa de climatização na cidade, abriu cinco vagas para auxiliares de manutenção e instalação, sem exigência de experiência prévia. “A gente não pede nem experiência, nós damos a oportunidade de desenvolver o colaborador. Então ele chega com vontade de trabalhar, comprometido, e a gente ajuda a desenvolvê-lo”, explicou.

Guerys Trocones, de 47 anos, assumiu o novo trabalho há 20 dias e está no Brasil há dois anos e meio. “Estava aprendendo cada dia um pouquinho mais. O serviço é bom”, afirmou. Seu maior sonho é trazer os filhos que ainda vivem no país de origem: “Tenho algo estável para poder ir trazendo um a um, porque são muitos, são sete”, disse.

Na região de Barão Geraldo, um restaurante especializado em alta gastronomia peruana também emprega profissionais de diversas nacionalidades. Carlos Alberto, um angolano que vive no Brasil há mais de dez anos, trabalha como garçom desde outubro. “Tem sido uma experiência muito boa aqui. E com o trabalho também a gente acaba entendendo que de fato é uma coisa não só para mim como funcionário, como alguém que vai exercer uma certa função no trabalho e também como para a própria família também”, comentou.

Carlos, que tem 35 anos, é formado em teologia e atualmente cursa mestrado em ciência da religião. Ele considera o trabalho como garçom apenas uma fase. “Eu continuo estudando, eu me formei em teologia, hoje eu estou fazendo mestrado em ciência da religião. Pretendo, lá para frente, talvez atuar no âmbito acadêmico, na parte do ensino”, finalizou.

TAGGED:CagedCampinasCarlos AlbertoEmpregoestrangeirosGuerys TroconesJosé DariMarisa CorrêaServiçosSPUnicamp
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