Em novembro de 2024, o agricultor Sidrônio Moreira encontrou um líquido no subsolo de sua propriedade em Tabuleiro do Norte, Ceará, que, segundo testes laboratoriais preliminares, parece ser petróleo. A descoberta foi divulgada em fevereiro de 2026 e gerou expectativa sobre a possibilidade de uma jazida no estado, que atualmente possui produção de petróleo pouco relevante.
A perfuração ocorreu enquanto buscavam água, atingindo cerca de 40 metros de profundidade. Um vídeo gravado pela família mostra o momento em que o líquido escuro emerge do buraco, levando Sidrônio a comemorar, acreditando que se tratava de água. Testes indicaram que a amostra possui características físico-químicas semelhantes ao petróleo da Bacia Potiguar, localizada a apenas 11 quilômetros do local do achado.
A confirmação oficial sobre a natureza do líquido depende da Agência Nacional do Petróleo (ANP), que já iniciou investigações. Embora a Bacia Potiguar seja uma área reconhecida entre Ceará e Rio Grande do Norte, a maior parte das reservas está no território potiguar. No Ceará, a exploração de petróleo é limitada, concentrando-se no bloco Fazenda Belém, nos municípios de Aracati e Icapuí.
Em 2022, a Petrobras vendeu sua participação nos campos terrestres do Ceará, considerando a extração no estado pouco atrativa, conforme o professor de Engenharia Química da Universidade Federal do Ceará (UFC), Hosiberto Batista. A produção média na Fazenda Belém era de aproximadamente 575 barris de óleo por dia, em contraste com mais de 6 mil barris diários no Campo do Amaro, na Bacia Potiguar.
O professor destacou que a descoberta em Tabuleiro do Norte é incomum, pois não havia relatos de petróleo na área. Ele recebeu uma amostra do líquido para análises complementares na UFC e observou que a profundidade do poço é considerada rasa para a descoberta de petróleo.
Em junho de 2025, o filho de Sidrônio, Saullo Moreira, procurou o Instituto Federal do Ceará (IFCE) em busca de orientação e levou uma amostra para análise no Núcleo de Pesquisa em Baixo Carbono da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa), em Mossoró. A família notificou a ANP em julho de 2025, mas a resposta da agência demorou meses. Em 25 de fevereiro de 2026, a ANP confirmou que investigaria o caso.
No dia 3 de março, a ANP notificou a família sobre o envio de uma equipe ao local, mas não estipulou um prazo. A agência também contatou a Secretaria Estadual do Meio Ambiente do Ceará (Sema) para avaliar a necessidade de uma vistoria técnica, mas a secretaria afirmou que ainda não foi contatada pela ANP.
A família de Sidrônio enfrenta incertezas enquanto aguarda a resolução da ANP. A necessidade de água persiste, e a descoberta do óleo complicou a busca por um poço artesiano. A família depende de carregamentos de água de carro-pipa e foi alertada sobre os riscos de contaminação do lençol freático caso um poço seja perfurado incorretamente.
Após a notificação da ANP, a agência deve iniciar procedimentos para averiguar as condições da área e a viabilidade econômica da exploração. A confirmação do petróleo não garante que a exploração seja financeiramente vantajosa, e a ANP dividirá a região em blocos para leilão às empresas interessadas.


