Dona Beja, uma das figuras femininas mais intrigantes da história brasileira, desafiou os padrões morais do Brasil Império. Nascida em 2 de janeiro de 1800, em Formiga (MG), Anna Jacintha de São José ficou conhecida como a cortesã que conquistou poder em uma sociedade dominada por homens.
Após ser sequestrada pelo ouvidor do rei, ela retornou a Araxá, onde, mesmo analfabeta, acumulou fortuna e influência social. Beja promovia saraus e recebia autoridades, tornando-se uma figura central na vida social local. Mãe solteira, acumulou propriedades, incluindo a Chácara do Jatobá.
Após viver em Paracatu, onde teve duas filhas, a primeira reconhecida pelo vigário Francisco José da Silva, Beja mudou-se para Bagagem, onde passou os últimos 30 anos de sua vida. A mudança ocorreu após a descoberta de um diamante de mais de 250 quilates na região, que inspirou o nome da cidade.
Em Bagagem, Dona Beja se associou a um garimpo de diamantes e se afastou da vida social intensa, dedicando-se à família e à fé católica. Ela financiou a construção de uma ponte sobre o Rio Bagagem para acompanhar a procissão de Nossa Senhora Mãe dos Homens, demonstrando sua devoção.
Nos anos finais, Beja não possuía a mesma fortuna de antes, e seu testamento revelou uma mulher mais simples e ligada à religião. Após sua morte em 20 de dezembro de 1873, ela se tornou um mito cultural, simbolizando a liberdade e a capacidade de desafiar convenções sociais.
Historiadores destacam que Dona Beja foi uma mulher à frente de seu tempo, atuando na política liberal e realizando reuniões em sua chácara, desafiando o papel tradicional das mulheres no século XIX.


