No Dia Internacional da Mulher, celebrado neste domingo (8), histórias de mulheres revelam como suas vidas mudaram nas últimas décadas. Rosângela Maria, de 67 anos, e Maria Perpétua, de 83, moradoras de Divinópolis, cresceram em um contexto onde estudar e escolher uma profissão não era garantido.
Ambas viveram sob regras rígidas e enfrentaram injustiças, com um futuro limitado ao que a sociedade aceitava para as mulheres. Mesmo assim, buscaram mudanças e tentaram aproveitar ao máximo as oportunidades disponíveis. Rosângela, nascida em 1958, recorda uma juventude marcada por normas que restringiam a liberdade das meninas.
““Na minha adolescência, tudo era diferente. Normas e valores tradicionais tinham que ser respeitados, como vestuário, namoro e horários”,”
relata. As opções profissionais eram limitadas, mas Rosângela não aceitou esse destino. Desde os 9 anos, trabalhou para custear seus estudos, quebrando britas e vendendo verduras.
Apesar das dificuldades, ela conseguiu se formar no Magistério e se tornar professora, além de concluir o curso de Letras. Atualmente, as mulheres representam 59,1% das matrículas no ensino superior no Brasil, segundo o Censo da Educação Superior de 2023. Rosângela, que está terminando o curso de enfermagem na UFSJ, afirma:
““Lugar de mulher é onde ela quiser”.”
Maria Perpétua, nascida em 1943, enfrentou limitações ainda mais intensas. Ela ajudava na roça e realizava trabalhos domésticos, com opções profissionais restritas a costura e crochê.
““As decisões não eram nossas, eram os pais que decidiam”,”
diz Maria, que só conseguiu cursar até a quarta série. O acesso à educação era restrito e o foco estava no trabalho doméstico e no casamento.
Maria Perpétua também destaca que as mulheres eram quase obrigadas a se casar para não serem rotuladas de ‘sobrantes’. Apesar das mudanças, ela questiona:
““As mulheres têm mais voz e vez, mas ainda sofrem preconceitos e julgamentos””
. Para ela, a liberdade conquistada trouxe mais responsabilidades.

